Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br
Guilherme Fiuza, em O GLOBO – 29/06/13, comenta o “movimento revolucionário” (2º texto abaixo):  

Se o movimento que encanta o país fosse minimamente lúcido, cercaria o Palácio do Planalto (…). Poderia anunciar, pacificamente, que só sairia de lá com a extinção de pelo menos cinco ministérios inúteis, mantidos para alimentar correligionários.”

Conforme se vê, só uma coisa nisso tudo que está acontecendo é absolutamente segura e certa – ninhada nova não consegue escapar de raposa velha. 

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04/07/2013 – 03h26  –

Lula sugere a Dilma corte de ministérios

VALDO CRUZ – FERNANDO RODRIGUES – CATIA SEABRA – DE BRASÍLIA

A proposta de reduzir o número de ministérios, feita pela oposição e encampada pelo PMDB, já havia sido sugerida à presidente Dilma pelo ex-presidente Lula como uma medida para sinalizar austeridade num momento de turbulências na economia.

Segundo a Folha apurou, Lula, em conversas com interlocutores, também disse que defendeu mudança nas principais áreas do governo, como articulação política e equipe econômica.

Dilma chegou a indicar, segundo petistas próximos a Lula, que iria analisar a possibilidade de mudar a equipe ministerial durante o recesso do Congresso, em julho.

Só que o surgimento da onda de manifestações nas ruas fez a presidente mudar o foco de sua agenda e, segundo assessores, adiar as trocas.

Recentemente, Lula queixou-se a interlocutores que a presidente é “teimosa” e não queria “fazer ajustes” no governo, considerados por ele necessários para reverter o clima de pessimismo na área econômica e política.

Oficialmente, a assessoria de Lula diz que o ex-presidente não tratou desse tipo de assunto com Dilma, afirmando que “é atribuição da presidente definir ministério”. Informou ainda que o petista faz palestras no exterior.

Petistas ligados ao ex-presidente disseram à Folha, porém, que a sugestão era, inclusive, o governo fazer uma redução de 39 para cerca de 30 ministérios e assumir um discurso de maior rigor fiscal.

Quanto ao discurso na área fiscal, Dilma decidiu no mês passado, depois de se reunir com Lula num hotel em São Paulo, determinar que o ministro Guido Mantega (Fazenda) assumisse compromisso com a meta de superavit primário de 2,3% do PIB.

A proposta de reduzir o número de ministérios já havia sido feita à presidente pelo empresário Jorge Gerdau, membro da Câmara de Gestão da Presidência da República.

Dilma tem hoje 39 ministros. São 24 ministérios, dez secretarias e cinco órgãos com status de ministério. Ela criou duas novas pastas, a Secretaria de Aviação Civil, cujo titular tem status de ministro, e o Ministério da Micro e Pequena Empresa. Seu antecessor deixou para ela 37 ministros.

Lula herdou do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso 24 ministérios. Ele converteu em secretarias com status de ministério várias áreas ligadas até então a outras pastas, como Portos, Direitos Humanos e Pesca. FHC chegou a ter nove secretarias, sem status de ministério.

Lula fez também, recentemente, críticas à estratégia política do Planalto, depois negadas oficialmente por ele. Na semana passada, reservadamente, ele classificou de “barbeiragem” a articulação do governo para a instalação de constituinte exclusiva para a reforma política.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/07/1305903-lula-sugere-a-dilma-corte-de-ministerios.shtml

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Plebiscito em Marte

Os parasitas da nação estão em festa.

Os efeitos dos protestos de rua estão tomando o melhor caminho possível (para eles): constituinte, plebiscito, pré-sal…

gmfiuza – O GLOBO

Os parasitas estão gargalhando em seus gabinetes. Sempre souberam que embromariam a multidão, mas não esperavam que fosse assim tão fácil.

Ao fim da primeira semana de manifestações, Dilma foi à TV. Nas ruas, os protestos contra o aumento das passagens de ônibus mostravam o óbvio: a volta da inflação enfim tirara os brasileiros de casa. O transporte era só o item mais visível da escalada de preços em todos os setores. A vida ficou mais apertada – e a paciência acabou. Como todos sabem (ou deveriam saber), o governo popular abandonou a meta de inflação para irrigar sua formidável máquina de dezenas de ministérios. Mas na TV, Dilma parecia uma porta-voz dos revoltosos.

A presidente disse que os anseios das ruas eram os mesmos do seu governo. É preciso coragem para soltar um disparate desses sem gaguejar. O tal governo que anseia por mudanças governa o país há dez anos. E Dilma não deu uma palavra sobre gastos públicos – ou, em português, sobre a orgia orçamentária que seu partido preside no Estado brasileiro. Pregou a melhoria dos serviços públicos (supostamente os do Brasil), no momento em que seu governo bate mais um recorde de despesas – como sempre reduzindo os investimentos e aumentando o custeio (a verba dos companheiros). É preciso muita desinibição.

O projeto parasitário é desinibido porque a opinião pública é trouxa. E o pronunciamento da presidente foi engolido pelos brasileiros, incapazes de relacionar a inflação e a queda dos serviços com a administração perdulária e inepta da grande gestora.

Se o movimento que encanta o país fosse minimamente lúcido, cercaria o Palácio do Planalto depois desse pronunciamento. Poderia anunciar, pacificamente, que só sairia de lá com a extinção de pelo menos cinco ministérios inúteis, mantidos para alimentar correligionários. Ou com o compromisso da presidente de voltar a respeitar a meta de inflação. Ou denunciando o escândalo da “contabilidade criativa”, pelo qual o governo do PT passou a fraudar seu próprio balanço – seguindo a escola Kirchner-Chávez –, escondendo dívidas para poder gastar mais com cargos e propaganda.

Será que os heróis das ruas não percebem que é isso o que mais infla o custo de vida (e as passagens de ônibus)?

Não, não percebem. Uma líder do movimento declarou ao “Jornal Nacional” que a próxima prioridade era a reforma agrária… Aí os parasitas estouraram o champanhe. Era a senha para mandarem Dilma tirar da cartola uma constituinte: reforma política! (mesmo balão de ensaio usado por Lula quando estourou o mensalão). E o truque colou. Tiraram a constituinte de cena, mas deixaram o Brasil entretido no debate lunático sobre um plebiscito do crioulo doido. De brinde, Dilma prometeu transformar a “corrupção dolosa” em crime hediondo. Eles venceram de novo.

Enquanto gritam por cidadania, educação, dinheiro do pré-sal e felicidade geral, os revoltosos urbanos estão absolvendo Rosemary Noronha – a protegida de Lula e Dilma na invasão fisiológica das agências reguladoras (responsáveis pelos serviços que a presidente promete melhorar…). Estão absolvendo as quadrilhas que dominaram o PAC – reveladas pela CPI do Cachoeira, que Dilma abafou e nenhum manifestante reclamou. Estão chancelando todos os denunciados na época da faxina imaginária que continuam dando as cartas no governo, como o ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel.

Os revoltosos estão sancionando a sucção e cantando o Hino Nacional.

Fica então uma sugestão de pergunta para o plebiscito: o Brasil prefere ser roubado por corrupção dolosa ou indolor?

Guilherme Fiuza é jornalista

http://oglobo.globo.com/opiniao/plebiscito-em-marte-8844735

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