Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

 

 

 

 

     Para quem se dedica a observar e analisar os movimentos sociais, muito pouco ou quase nada importarão as intrigas palacianas visando a viabilizar/inviabilizar candidaturas em eleições cujo resultado já pode ser previsto como muito semelhante aos de todas aquelas que as precederam, em nada alterando – exceto podendo agravar – o rumo já tomado por nossa Sociedade. E as informações obtidas na Imprensa diária serão sempre complementadas pelo que for publicado nas chamadas redes sociais.

 

     Entre tudo e mais um pouco que este meio de comunicação proporcionava coletar ontem pela manhã, duas imagens e uma notícia me chamaram a atenção. E, assim que as vi, a notícia e as imagens, veio-me à cabeça uma obviedade rasteira à qual nem sempre atentamos porque os próprios meios de comunicação a buscam camuflar e confundir: conflito é conflito e harmonia é harmonia. Há razões de sobra para que ambos se manifestem e sejam reconhecidos com facilidade nas Sociedades, em qualquer delas. Buscando equilibrar-se entre esses dois, digamos, “princípios” (entre aspas, porque um Princípio será outra coisa) que pautam as intenções e as atitudes, as Sociedades avançam e poderão aperfeiçoar-se. Com inteligência. A harmonia, sempre desejável e sempre precária, somente poderá ser conseguida por meio da conciliação dos conflitos, que serão permanentes, embora apresentem diferentes elementos e diferentes contornos em diferentes épocas e/ou sob diferentes circunstâncias. E o recurso à violência será apenas esporádico – quando a inteligência de alguma forma se demonstrou ausente e essa ausência o fez necessário. As razões dos conflitos, porém, e os meios de incentivá-los nunca se confundirão com as razões da harmonia e os meios que a possam incentivar. Até prova em contrário.

 

    No mundo inteiro, por mais ou por menos que as Leis se alterem e que os legisladores busquem aperfeiçoar as Sociedades na direção de uma utópica harmonia ampla, geral e irrestrita, a presença ostensiva de um Soldado indicará os cuidados com a prevenção de qualquer ameaça, potencial que seja, de uma conflagração exacerbada dos conflitos. Conflito é conflito, harmonia é harmonia, e Soldados são Soldados. Um Soldado sabe que é um símbolo da ordem instituída – da ordem do Estado, não das ordens ou das desordens de um Governo qualquer – que deve ser respeitada por todos. E um Soldado aprende que quem fere essa ordem será um inimigo, um inimigo real, seja externo, seja interno, do Estado e do virtual processo de aperfeiçoamento da Sociedade, um inimigo contra o qual deverá eventualmente entrar em combate frontal. Soldados aprendem ainda que, nesse combate, se algo der errado, não levarão pitos, empurrões, beliscões, nem serão apenas postos de castigo, sem sobremesa ou só podendo ir para casa descansar muito mais tarde do que esperavam poder ir – eles sabem que poderão ser gravemente feridos e que poderão ser mortos, deixando definitivamente um lugar vazio à mesa em que sua família se reúne para o jantar. O risco é consciente, faz parte da profissão, que é – ou deve ser – uma opção de consciência. E isso é o poderíamos chamar, mesmo que impiedosamente, de “normal”. É a ordem do Estado o que os Soldados estão encarregados de proteger para que os conflitos em Sociedade não o destruam e não destruam a própria Sociedade. 

 

    E marginais são marginais. Serão marginais não apenas ao Estado, mas também à Sociedade. Assim como os Soldados em combate, os marginais se cuidam, uns dos outros, e todos de todos e de cada um. E lutam – aproveitando todos os meios que encontrem disponíveis material, emocional ou intelectualmente, como marginais que são – para preservar o seu presumido “direito” a agir na marginalidade, impondo condições e regras que só poderão ser impostas e mantidas pelo poder das atividades e de uma força – sempre armada – marginais ao Estado e à Sociedade.

 

    Os Soldados da Polícia Militar são Soldados. O conflito entre Soldados da PM e marginais é também considerado “normal”, porque é inevitável. Se marginais, que são bandidos, que causam danos à Sociedade, convivem em harmonia com Soldados da PM, alguma coisa há de estar muito errada – ou estará errada com os marginais ou estará errada com os Soldados.  E, por isso mesmo, assim dizia a notícia que, infelizmente, podíamos ler ontem pela manhã, entre as muitas de teor semelhante que lemos todos os dias: 

 

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Moradores intervêm em abordagem e PM acaba morto na Cidade de Deus

7 outubro 2013 – Roberta Trindade

Após receber denúncia relativa a um carro roubado que estaria circulando na Favela Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, uma equipe da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Cidade de Deus foram até a esquina da Avenida Miguel Salazar Mendes de Moraes com a Rua Eleázar abordaram o trio que estava no interior do veículo, neste domingo, dia 6 de outubro.

No momento em que iam conduzi-los à delegacia, um dos detidos correu e fugiu. Cerca de 50 pessoas que estavam em uma festa nas proximidades foram até o local e iniciaram um tumulto para impedir que os PMs levassem os detidos até a 32ª DP (Taquara).

Aproveitando-se da confusão, criminosos da facção Comando Vermelho (CV) que controlam o tráfico de drogas na região passaram em uma moto efetuando disparos. Um dos tiros atingiu o soldado Anderson Dias Brazuna, 34 anos, no peito. Socorrido pelos colegas de farda, ele ainda foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade de Deus, mas não resistiu.

Lotado na UPP CDD há quatro anos, o soldado Brazuna entrou na PMERJ em 2008. Ele se tornou o 59º policial morto no Estado do Rio somente este ano. De janeiro a hoje, já são 152 policiais baleados. No total, 75 estavam de serviço.

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    Já a função dos Professores, da qual também dependem o Estado e a Sociedade, é outra. Ela não se resume a mantê-los ou defendê-los, mas avança mais além, muito mais, no sentido de elevá-los em qualidade. A profissão também implica muitos riscos e exige muita coragem. Especialmente riscos e coragem intelectuais. E exige sacrifícios. Especialmente quando um Estado e uma Sociedade se encontram frágeis, sem defesa e vêm sendo barbaramente desvirtuados pela ação de marginais, que muitos daqueles que nós mesmos elegemos impedem que sejam combatidos.

 

    Sendo assim, a primeira figurinha das duas a que me referi acima nos poderia dizer com muita propriedade: 

 PROFESSORES x PM   Mas, se levarmos em consideração o depoimento expresso na segunda figurinha:

PROFESSORES x PM 2 , somente nos será possível chegar a uma única conclusão: a de que alguma coisa deve estar muito errada. Ou estará errada com os bandidos ou estará errada com os Professores. Porque quando os interesses, as atitudes e o poder de bandidos não conflitam com as funções e a presença física da figura-símbolo de um Professor, e quando Professores desautorizam a função dos Militares tanto quanto os marginais a querem desautorizar… é que Professores desautorizam não só o Estado quanto qualquer intenção de que a Sociedade se mantenha. E nos será impossível compreender qual função pretenderão, conscientemente, desempenhar tanto na Sociedade quanto no Estado.

 

    Alguma coisa anda muito e muito errada. Em muitos setores de nosso Estado, em muitos setores de nossa Sociedade. Ela provoca e mantém tudo o que ainda ontem, à noite, todos nós podíamos conferir nas centenas de figurinhas publicadas pela Imprensa. E provocará ainda muito mais que tudo isso, que já é suficientemente grave.

 

    Que coisa seria essa que pode estar tão errada com todos nós?

 

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MANIFESTAÇÃO 07-10 .1

 

MANIFESTAÇÃO 07-10 .2

 

MANIFESTAÇÃO 07-10 .3

 

MANIFESTAÇÃO 07-10 .4 

 

http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/10/08/em-noite-de-protestos-camara-do-rio-e-atacada-e-tem-salao-incendiado.htm#fotoNav=236

Em noite de protestos, Câmara do Rio é atacada e tem salão incendiado

Giuliander Carpes e Hanrrikson de Andrade –  Do UOL, no Rio de Janeiro  – 7.out.2013  

Um grupo de manifestantes jogou ao menos três bombas caseiras (coquetel molotov) na porta lateral da Câmara dos Vereadores pela rua Evaristo da Veiga — onde há também um quartel da PM (Polícia Militar)

A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro foi o grande alvo dos protestos da noite desta segunda-feira (7). A instituição confirmou, por meio de nota à imprensa, que os manifestantes jogaram, pelas janelas, galões de gasolina para incendiar o prédio.

Ainda não se sabe quais foram todos os estragos causados além da porta vandalizada e da sala de cerimonial que ficou parcialmente destruída. Segundo a nota, os guardas municipais responsáveis pela segurança conseguiram impedir a invasão da casa. Na terça-feira, não haverá expediente na Câmara para que possam ser levantados os prejuízos durante a realização de uma perícia.

Como saldo da noite, pelo menos 14 pessoas foram detidas e um adolescente foi apreendido. O protesto chegou a reunir 10.000 pessoas, segundo a PM.

Carona de ônibus – Um dos confrontos que aconteceram entre a polícia e os manifestantes se deu no cruzamento da avenida Mem de Sá com a rua Gomes Freire. Um grupamento do choque deteve cinco manifestantes. Para conduzi-los até a 5ª DP, delegacia da região, um policial que era chamado pelo grupo de “Comandante Lemos” parou um ônibus de linha (507 Silvestre).

O “comandante” pediu ao motorista que levasse os cinco detidos mais cinco policiais e dois advogados da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para a delegacia.

Os outros manifestantes do grupo se sentaram na rua para impedir que o ônibus os levasse. Houve confronto ali mesmo. O choque conseguiu deter os manifestantes após bombas de efeito moral e balas de borracha.

O motorista do carro A72116 da empresa Transurb deu ré e saiu pela avenida Mem de Sá, seguindo para a delegacia.

Ônibus e prédios vandalizados – Pelo menos cinco ônibus sem passageiros foram sequestrados e vandalizados por grupos de manifestantes mascarados, identificados como Black Blocs. Três deles foram deixados na avenida Rio Branco — todos foram vandalizados, sendo que um foi incendiado. Os outros dois foram encontrados na Lapa: um na rua Maranguape e outro no Passeio.

Segundo o motorista Henrique Santos Souza, que estava no ônibus que foi queimado, os manifestantes que sequestraram o veículo pretendiam jogá-lo sobre a entrada de um prédio comercial. “O mascarado falou para mim que meu ônibus ia virar estatística”, contou Souza.

Além da Câmara, a reportagem do UOL observou depredação nos arredores da Cinelândia. Ao menos duas agências bancárias foram depredadas (uma na Evaristo da Veiga e outra próxima à avenida 13 de maio).

Os manifestantes atacaram o consulado americano, que teve suas janelas quebradas. A tropa de choque usou bombas de gás e de efeito moral para dispersar os manifestantes.

A entrada do edifício Serrador, sede da empresa de Eike Batista, ficou totalmente destruída. O grupo que depredou o prédio usou seus próprios tapumes para quebrar as vidraças.

Policiamento menos ostensivo – No começo dos protestos, a PM (Polícia Militar) teve uma atitude mais tímida, sendo difícil de avistar o contingente policial no percurso entre a Candelária, de onde partiu a passeata, até a Cinelândia. O número de policiais (500) também foi menor que o da semana passada (700) no dia em que houve um confronto mais violento com os manifestantes.

Quando um grupo de mascarados pichava a parede lateral da Câmara dos Vereadores, por exemplo, a PM não reagiu. Ela só entrou em ação, com suas guarnições de choque, depois que os manifestantes já haviam jogado ao menos três bombas contra a porta da instituição.

No meio da confusão, o vereador Brizola Neto (PDT-RJ) tentava deixar a Câmara, cercado de seguranças. Ele questionava, aos gritos: “Cadê a polícia?”

Após as ameaças, dois grupos do choque cercaram os manifestantes e os dispersaram com bombas de efeito moral e balas de borracha.

As manifestações dessa segunda-feira foram organizadas para protestar contra a violência da PM, que entrou em confronto com os professores na semana passada. Tanto a rede municipal quanto a rede estadual estão em greve desde o dia 8 de agosto.

 

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/10/1353208-manifestantes-mascarados-colocam-fogo-no-clube-militar-no-rio.shtml

07/10/2013 – 20h54 –

Manifestantes mascarados colocam fogo em ônibus e no Clube Militar, no Rio

MARCO ANTÔNIO MARTINS – DO RIO

Manifestantes mascarados colocaram fogo no Clube Militar e em um ônibus no centro do Rio na noite desta segunda-feira (7). Localizado na esquina da avenida Rio Branco com rua Santa Luzia, o clube foi atingido por um coquetel molotov. Parte da sobreloja do clube está em chamas.

Na praça da Cinelândia, diante do clube, o cenário é de confronto entre manifestantes mascarados e policiais militares. Às 20h10, o grupo avançou contra os PMs atirando coquetéis molotov e fogos de artifício. Os manifestantes quebram telefônicos públicos e colocam fogo em lixo espalhado no meio da avenida. (…)    

   

  

 

 

 

 

 

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