Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

 

 

 

 

Permitido pela lei sob certas condições, o trabalho de adolescentes na faixa de 15 a 17 anos, que deveriam estar matriculados no ensino médio, afasta os jovens dessa faixa etária da escola.  … Apesar de uma tendência de longo prazo de queda do trabalho na faixa de 15 a 17 anos (47% dos adolescentes trabalhavam em 1992), cresceu a presença dessa faixa no mercado de trabalho — de 23,6% em 2011 para 24,8% em 2012 … Ao todo, 3,5 milhões de crianças e adolescentes (de 5 a 17 anos) trabalhavam em 2012. Trabalho afasta adolescentes das escolas, segundo dados do IBGE –

http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2013/09/1348210-trabalho-afasta-adolescentes-das-escolas-segundo-dados-do-ibge.shtml

 

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) considera que uma pessoa é alfabetizada se ela souber ler e escrever um ‘bilhete simples’. … A dona de casa alagoana Rosilene Rocha da Silva, 35, está em processo de alfabetização. Ela estuda com mais seis pessoas em um projeto voluntário … ‘Comecei há dois anos e meio a estudar. Cursei até a quarta série, quando era adolescente, mas não terminei. Nunca tinha apreendido a ler…’Taxa de analfabetismo para de cair no Brasil após 15 anos, diz Pnad –

http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/09/27/analfabetismo-volta-a-crescer-no-brasil-apos-mais-de-15-anos-de-queda.htm

 

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    Escola para quê?

 

    Isso a gente sabe. Está cansada de saber.

 

    Mas, agora me digam: e “essa” Escola, a que temos e mantemos hoje? Para quê?

 

    Na rede pública há bons professores? Há, sim. Em todos os níveis. Tantos quantos há na rede privada. Há aqueles que se reviram pelo avesso para dar boas aulas, com bons conteúdos, e obter a atenção dos alunos. Embora sejam muito poucos, enquanto se encontram em muito maior número os animadores de auditório, os eco-contemplativos e os prosélitos de uma certa filosofia ou teoria-político-econômica que transforma todas as disciplinas em uma única e se mantém na ordem do dia como sacrossanta. Estes nada têm a ensinar, e, como nada lhes é exigido – exceto que sobrevivam a pouco preço -, os alunos só se lembram vagamente do que ouviram em sala de aula nos momentos desagradáveis em que fabricam suas colagens que, muitas vezes, nem serão avaliadas, mas lhes permite passar de ano, e nos momentos agradáveis em que pintam faixas para serem agitadas em manifestações politizadas. Menos mal?

 

    Há alunos que se salvam? Há, também há, sim. Alguns. Em ambas as redes, salvam-se uns aqui, outros ali… Apesar do sistema educacional.

 

    Em suma: de nada adiantou retratar os criadores do MOBRAL como ogros; de nada adiantou que terroristas ganhassem um “ex-” antes dos seus nomes de guerra enquanto eram resgatados a fórceps da vala comum dos criminosos; de nada adiantou conferir um título de “latino-americano” a brasileiros que nem percebem o que isso, na verdade, significa e continuam sem saber o que seria ser um brasileiro; de nada adiantou eleger doutores, professores, operários, artistas diletantes ou profissionais para que representassem e administrassem o nosso País, sua população, seus recursos e seu potencial; de nada adiantou deformar a palavra “Presidente” substituindo um E por um A, e tratar essa função como “maternal” e como “soberana”; de nada adiantou que meia dúzia de gaiatos ditos ilustrados tivessem, entre outros muitos rebuliços, abolido o acento agudo no “PÁRA” do verbo PARAR. Tudo isso apenas mais agravou a tremenda confusão entre muitas coisas que já se fazia há muitas e muitas décadas; e, nessa parafernália toda, hoje é possível confundir o que antes se esperava dos “pára-quedas” e o que se programa, nas nossas próprias Escolas, “para quedas” dos índices nacionais de conhecimento e capacidade intelectual e criativa, índices que despencam vertiginosamente, em parafuso, acompanhando o desmanche generalizado.

 

    A preposição “PARA”, por sua vez, continuou encaminhando as mesmas vantagens, as mesmas desvantagens, as mesmas conseqüências e a mesma irresponsabilidade aos mesmos sujeitos – sejam eles analfabetos, sejam alfabetizados, estejam na Política ou na Escola ou fora delas. Apesar de que notícias publicadas na Imprensa não só dizem, a quem quiser saber, que o número de analfabetos parou de cair, ou seja, que promete subir, como dizem ainda que a nossa Escola não se mostra capaz de, em 4 anos, ensinar um adolescente a soletrar e a rabiscar um bilhete simples – e, assim, não é capaz de permitir que ele seja considerado alfabetizado.

 

    E eu cá gostaria, sinceramente, de poder compreender, entre os porquês, para ques, ondes e comos de muitas e muitas outras coisas mais, ainda que fosse para compreender só mais ou menos, em que, exatamente, estaria apoiada aquela certeza tão certa que foi enunciada em uma das notícias, a de que há “uma tendência de longo prazo de queda do trabalho na faixa de 15 a 17 anos”…  Sinceramente, olho em volta e nada que a ampare consigo ver.

 

    A menos, talvez, que o narcotráfico seja regulamentado, que esse regulamento impeça o recrutamento de menores e que a “instituição” faça uma parceria público-privada com os Ministérios da Educação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Ué! E por que não? Já não regulamentaram a prostituição? E já não andam querendo regulamentar a espionagem? 

 

    Aliás, impedir que sejam drogados e muito mais que o valor de uma bolsa-escola, o narcotráfico já garante aos jovens que dele participam. Além da “escola” que lhes é dada na prática, todos eles são orientados a que freqüentem a Escola oficial – e eles não perdem uma única aula. Todos esses jovens terão, sim, um emprego certo, e apenas no momento certo.

 

    Avante, Brasil! Este deve ser um bom caminho!

     

 

 

  

 

 

 

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