CANGAÇO

09-02-2014
Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

 

 

cangaço

Assassinato de policiais em Juazeiro da Bahia vem à tona e deixa policiais do país revoltados.

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       Imaginava-se que o Nordeste se havia livrado da praga do cangaço na primeira metade do século XX. Ledo engano. Sendo Lampião cantado em verso e prosa e transformado em herói, no cinema e nas histórias em quadrinhos, por “pesquisadores” e “especialistas” de “alto nível” muito dedicados à descoberta das nossas “verdades” históricas; sendo seus crimes justificados e “legitimados” pela miséria e o sofrimento do sertão, o cangaço ressurgiu no final do século. Ressurgiu, então, consagrado como “revolucionário” por Hobsbawm e amparado pela Universidade (a elite engajada) e por parte da Sociedade (o vulgo ignaro). E, invadindo o espaço brasileiro de Norte a Sul, de Leste a Oeste, continuou produzindo o que desde sempre produziu – o que se vê agora em escalada exponencial.   

 

      Só se alterou a indumentária dos cangaceiros, que abandonaram o couro que os protegia na caatinga – hoje usam das camisetas coloridas, com alguma estupidez que lhe seja impressa, a um terno-e-gravata e/ou a uma toga. Para conferir, basta-nos ler, nos jornais das grandes capitais, as notícias referentes às execuções de Policiais Militares quase diárias e as inúmeras notícias referentes à exigência “da sociedade” de “apuração de responsabilidades” não dos meliantes, mas somente desses mesmos Policiais quando no exercício de sua função.

 

      Como devemos denominar academicamente o fenômeno ilustrado na foto? De “cangaço tradicional”? De “neo-cangaço”? De “cangaço urbano”? Porque cangaço, e nada mais do que cangaço, ele é. E como devemos chamar a “cultura” que se promove a partir da tolerância de muitos com esse fenômeno? De “cultura libertária”? De “cultura revolucionária”? 

 

      Se “revolucionário” é algo muito e muito difícil de definir em alguns trocados, cangaço nós sabemos muito bem o que é. E bem sabemos como pode e deve ser combatido. Só não queremos combater. Não combatemos o cangaço sequer combatendo sua alegada justificativa e atribuída “legitimidade”, com medidas que visem à solução do sofrimento, da miséria e da ignorância de imensa parcela da população nacional – ignorância, miséria e sofrimento que, se é que de fato produzem cangaceiros, produzem muitas e muitas coisas mais, bem mais nocivas ao nosso País.

 

      Por quê? A quem interessa a manutenção do sofrimento, da miséria e da ignorância que se constatam a olho nu, aos borbotões, em nossos campos, em nossas Capitais, em nossas demais cidades todas, pequenas, médias ou grandes?

 

      A resposta – que é óbvia – alguém ainda poderia pôr em dúvida?   

 

 

 

  

  

 

 

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