Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br
 
 
 

     Ninguém mais suporta o Governo de Rousseff – que vale tanto quanto o de Lula, que substituiu o Governo de Fernando Henrique – que pouco valia, e substituiu um Governo impeachmentado que valia ainda menos, e substituiu o Governo de Sarney – que nada valia, e substituiu o Governo de Figueiredo – do qual ninguém gostava, nem os contra nem os a favor, nem mesmo ele próprio, o Presidente, porque estava lá para isso mesmo, para ninguém gostar.

 

    Com isso gastamos quase quarenta anos de nossas vidas.

 

    E este foi o resultado de nossa convicção patriótica de que fazer política se resume a fazer campanha nas ruas, votar e eleger. Depois dormir, dormir… Talvez sonhar. Assim nos limitamos a eleger qualquer um que aparecesse nos dando uma cantada ou cantando de galo nos palanques do terreiro. Pouco importava se cantasse absolutamente desafinado, pois perdemos no tempo o nosso diapasão, ou se cantasse sem partitura, no improviso. Poderíamos virar o disco, trocando seis por meia dúzia. Isso nos bastou porque nos viciamos no embalo de quem nada nos diz e a considerar que tudo o que poderíamos dizer já foi ouvido.

 

    Assim também, de táticas e de estratégias políticas, que exigem objetivos definidos e planejamento, nada sabemos. Nem queremos saber. Não nos interessam.

 

    Mas há quem saiba chegar ao que pretende. Quem de táticas e estratégias saiba um bocado. E não vacile em apropriar-se da vida alheia.

     A novidade tática dos que vêm cantando de galo em nossos ouvidos foi despir-se das penas e partir para um canto de sereia. E, para divulgá-lo, lançou-se um vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=jPo6Bg8u5ss&feature=share 

 

    Esse vídeo soma uma entrevista, um contracheque e algumas imagens do cotidiano dos Policiais às imagens do nosso cotidiano e as dos últimos protestos nas ruas; pede emprestado o fundo musical de “Requiem For A Dream” (filme norte-americano que tem um roteiro simplesmente medonho) e como legenda ganhou um “poema” escrito na gramática do ENEM:

“Chamado à Polícia – o GIGANTE acordou – Caros amigos policiais, /o povo saiu às ruas. /Nós lutamos por direitos./ Nós lutamos por respeito./ Nós somos muitos./ Somos uma multidão./ Mas antes de tudo, / nós somos você. / Somos brasileiros,/ vestimos a mesma farda. / Aqueles que ordenam que nos reprima,/ São os mesmos que te reprimem. / Nós não estamos contra vocês./ Respeitamos sua profissão./ Reconhecemos seu heroísmo./ Seu juramento não é para governantes ou partidos./ Seu juramento é para a pátria./ Somos todos uma só nação./ o GIGANTE acordou/ E precisa de vocês. /ABAIXEM as ARMAS/ Levantem nossa bandeira.”

 

    O vídeo é dedicado aos Policiais Militares que hoje ainda tentam conter a baderna e o quebra-quebra, mas “precisariam” de compreender que “estão do lado errado”.  E o poeminho é sedutor… Talvez irresistível.

 

    Se os PM estão do lado errado, todos os que não estão “se manifestando” também estarão. Podemos então, todos, ir às ruas, a apoiar “o lado certo”.

 

    Pois muito bem: e qual seria “o lado certo”?

 

    Se de táticas e de estratégia nada sabemos nem queremos saber, o certo, mesmo, ainda que não o tenhamos percebido, é que temos nada e ninguém diferente do que já temos. Sendo assim, nada e ninguém diferente poderá substituir quem está no Governo. Mas, se os Policiais Militares forem seduzidos e obedecerem aos comandantes do “abaixo tudo e qualquer coisa”, a baderna engrossa, o mundo nos aplaude e o Governo balança. E só balança.

 

    Que teremos com isso? Teremos outro “Pacto de Moncloa”? Bem, poderíamos, pelo menos, tentar “adivinhar” quem, depois de tudo, seria chamado às ruas para defender a “ordem pública”.

 

    É muito difícil? Não, não é, não.

 

    Mas, então, é isso. Ou seria mais alguma coisa?

 

 

 

 

 

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