Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

 

 

 

     No dia 15 de Novembro, nossa República completou 125 anos. Nenhuma notícia de qualquer comemoração cívica oficial se viu ou se ouviu, fosse federal, estadual ou municipal. Apenas os que se consideram “lideranças de Oposição” convocaram, durante os dias precedentes, a metade do povo com que essa “Oposição” contou em votos para que ela se fizesse presente em peso nas ruas do País inteiro a reclamar “o fim da corrupção”. Essa metade é a que se diz insatisfeita com o Governo e quer derrubá-lo. Nada de novo. Pretender derrubar governos e reclamar da corrupção são cacoetes nacionais bem mais antigos que a República.

 

      A resposta foi pífia – contaram-se menos de 3 mil pessoas em São Paulo, mil em Porto Alegre, 200 no Rio, 150 em Brasília, um pouco mais ou um pouco menos nas demais capitais…  – e, por certo, essa “multidão” não motivou quem teria feito “o ‘diabo’ para vencer” as eleições e alguns supõem que fosse capaz de “infiltrar seus agentes nas passeatas para destruí-las de dentro” a comprometer o feriado que, ainda por cima, era um sábado. Assim, foi relativamente fácil protestar “de forma ordeira e pacífica” tal como era recomendado – o que seria, no mínimo, um paradoxo considerando-se que os ânimos foram hiper-exaltados no decorrer da campanha eleitoral recente realizada nos termos mais baixos que já puderam ser concebidos; considerando-se os sucessivos escândalos que, já há algum tempo, a Imprensa permite que venham à tona em detalhes; considerando-se que as atitudes do Governo vêm sendo a razão não mais do sobressalto, mas, sim, da revolta de grande parte do povo; considerando-se que o Governo vem sendo alvo constante de insultos desferidos pelo povo que mais habita a internet que as ruas.

 

      Além das acaloradas discussões observadas entre os próprios reclamantes a respeito da forma como seria permitido protestar, apenas um doutor advogado que “não sabia” do protesto cruzou com ele usando camiseta vermelha estampada com figurinhas carimbadas, além de uma foice e um martelo, e levou umas bandeiradas de alguém mais exaltado. Mais uma vítima da tortura e da truculência da direita raivosa que ganhou seu momento de intempestiva e estupefaciente glória…

 

      Pensando bem, melhor foi que pouca gente tenha comparecido à manifestação, porque quem se veste de vermelho e carrega foices e martelos não apenas nas camisas, mas nas suas mãos ainda que não os saiba usar, que sai às ruas na hora em que bem entende sair exigindo “reformas estruturais como urbana, agrária, tributária e a democratização dos meios de comunicação, além da realização de uma constituinte para reforma do sistema político”, é a outra metade do povo – a que nunca parece muito disposta a reclamar o que reclama “de forma ordeira e pacífica”.

 

      Quatro dias depois, no dia 19, logo em seguida ao Dia da República, veio o Dia da Bandeira Nacional. A nossa Bandeira. Nenhuma notícia de qualquer comemoração cívica oficial se viu ou se ouviu, fosse federal, estadual ou municipal. Nem sequer os que se consideram “lideranças de Oposição” convocaram, durante os dias precedentes, a metade do povo com que essa “Oposição” contou em votos para que se fizesse presente em peso nas ruas do País inteiro a reclamar fosse o que fosse. Aquela metade que se diz insatisfeita com o Governo. Nada de novo. Faz tempo que os símbolos nacionais nada significam, somente são lembrados em disputas esportivas e… nas eleições, que não deixam de ser uma disputa esportiva…

 

      Entre os panfletos “webianos” ou “internáuticos” que convocavam a metade do povo para aquele protesto ordeiro e pacífico do dia 15 estava o que transcrevo abaixo. Já em suas primeiras linhas nos deparamos com uma desavergonhada mentira que se presta a uma franca e risonha doutrinação ideológica contra o devido respeito aos que, algum dia, exaltaram os valores republicanos: “… a Proclamação da República, que derrubou o Regime da Monarquia, foi urdida, exclusivamente, dentro dos quartéis. Não contou, portanto, com o apoio popular, que resultou surpreso com a decisão dos militares.”

 

       Dizer que as camadas populares não se mobilizaram no sentido de exigir em armas a proclamação da República é uma coisa – e é verdade. Dizer que um apoio resultou surpreso é apenas uma bobagem, não tem qualquer sentido lógico. Dizer que a proclamação da República tomou de surpresa o povo é outra coisa. E será mentir. Seja quem for que diga isso, não sendo um absoluto ignorante, estará mentindo deslavadamente. E terá um objetivo ao mentir. A troco de que mentiria, não sei e pouco importa – mente. Não sugiro que alguém mergulhe de cabeça nos livros de História do Brasil da noite para o dia, de hoje para amanhã, mas qualquer um que se dispusesse a, pelo menos, abrir a Wikipédia – que é o atual “pai dos burros” – encontraria o seguinte:

 

Durante a Guerra do Paraguai, o contato dos militares brasileiros com a realidade dos seus vizinhos sul-americanos levou-os a refletir sobre a relação existente entre regimes políticos e problemas sociais. A partir disso, começou a desenvolver-se, tanto entre os militares de carreira quanto entre os civis convocados para lutar no conflito, um interesse maior pelo ideal republicano e pelo desenvolvimento econômico e social brasileiro. Dessa forma, não foi casual que a propaganda republicana tenha tido, por marco inicial, a publicação do manifesto Republicano em 1870 (ano em que terminou a Guerra do Paraguai), seguido pela Convenção de Itu em 1873 e pelo surgimento dos clubes republicanos, que se multiplicaram, a partir de então, pelos principais centros no país. Além disso, vários grupos foram fortemente influenciados pela maçonaria (Deodoro da Fonseca era maçom, assim como todo seu ministério) e pelo positivismo de Auguste Comte, especialmente, após 1881, quando surgiu a igreja Positivista do Brasil. Seus diretores, Miguel Lemos e Raimundo Teixeira Mendes, iniciaram uma forte campanha abolicionista e republicana. A propaganda republicana era realizada pelos que, depois, foram chamados de “republicanos históricos” (em oposição àqueles que se tornaram republicanos apenas após o 15 de novembro, chamados de “republicanos de 16 de novembro”). As ideias de muitos dos republicanos eram veiculadas pelo periódico A República. Segundo alguns pesquisadores, os republicanos dividiam-se em duas correntes principais: os evolucionistas, que admitiam que a proclamação da república era inevitável, não justificando uma luta armada; os revolucionistas, que defendiam a possibilidade de pegar em armas para conquistá-la, com mobilização popular e com reformas sociais e econômicas. Embora houvesse diferenças entre cada um desses grupos no tocante às estratégias políticas para a implementação da república e também quanto ao conteúdo substantivo do regime a instituir, a ideia geral, comum aos dois grupos, era a de que a república deveria ser um regime progressista, contraposto à exausta monarquia. Dessa forma, a proposta do novo regime revestia-se de um caráter social revolucionário e não apenas do de uma mera troca dos governantes.”

 

      Pronto. Só isso já seria mais que suficiente para, pelo menos, pôr em dúvida a bobagem que foi dita. E mais que suficiente para que não fossem ditas (ou “ensinadas”) tantas bobagens. Não nos surpreende, porém, que, às vésperas de uma esperada manifestação popular, seja não inventada, mas reiterada a mentira de ter sido a República “urdida exclusivamente dentro dos quartéis”. Porque, hoje em dia, todo texto que pretenda dizer da Política, ainda que apenas a tangencie, aproveitará qualquer pretexto para tentar desmoralizar e conspurcar a participação dos setores militares nos fatos passados. E por que isso se faz, mesmo que em detrimento do respeito à inteligência e ao valor de outros setores da Sociedade? Porque, entre nós, em meio aos radicais ortodoxos, surgiu um tipo muito específico de radical que promete ter vindo para ficar – o radical democrata.

 

      Democrata ou não democrata, todo radical será intolerante. E perigoso, muito perigoso. O que é capaz de fazer um radical caso seja tratado com tolerância ninguém poderá prever. Mas não só isso. É de se notar também que a postura do radical é soberba. O radical não duvida da sua verdade, o radical é um… “fundamentalista” por sua própria natureza. Portanto, necessariamente será incoerente no trato dispensado à realidade. Assim sendo, o radical democrata cocoricará como um galo rouco que se equilibra em cima do muro e será capaz de dizer qualquer coisa, com nexo ou sem nexo, contra ou a favor, verdade ou mentira, para comprovar e justificar a sua fé radicalmente democrática – como se, com isso, garantisse a salvação de sua alma política. E tentará convencer o mundo de que a sua, e somente a sua, é a verdadeira fé.

 

       Em seu radicalismo democrático, aquele texto nos dirá também que os militares brasileiros atenderam ao clamor das ruas ao intervir em 1964, no que estariam corretos; e que, em 1968, perderam a razão. Inequivocamente “de forma ordeira e pacífica”, clamando por uma intervenção militar, muita gente foi às ruas em 1964. Aquela gente percebia que o princípio republicano se punha em risco. Aquela gente sabia que poderia contar com um baluarte da República contra os que a ameaçavam.

 

      Seria possível perguntar à metade do nosso povo, a que está insatisfeita com os rumos hoje tomados pelo País (à outra metade será inútil perguntar pelas mesmas radicais razões que a movem): a situação no Brasil hoje é pior ou é menos grave do que era em 1964? Sim ou não? Por quê? Por que não deixamos rolar a festa, uma vez que muita gente também foi às ruas pedir “diretas já” para Presidente da República (quando eleições diretas preenchiam os demais cargos públicos) e a governante atual foi reeleita democraticamente, pelo voto direto? Por que tanta gente “deveria” agora ir às ruas para protestar democraticamente, “de forma ordeira e pacífica”, contra a corrupção e contra o Governo PT-Rousseff? Que é, exatamente, aquilo que o povo “deveria” defender nas ruas no dia do aniversário da sua República? O impedimento da governante? Isso seria o bastante para que se evitasse no País algo semelhante ao que é relatado no segundo texto transcrito abaixo, que nos diz do processo que levou a Síria à situação em que hoje se encontra? Como esse povo defenderá a República se nem sequer reconhece e respeita sua Bandeira? Que doce solução alguém sugere contra a ameaça de que se amplie o caos que em muitos pontos da realidade nacional já se fez e corrói inclusive as nossas primordiais Instituições?  

 

      A República proclamada anteontem deu no que deu ontem e no que está dando hoje. É uma caricatura de República, com uma lista de mazelas que vai “desde a roubalheira impune, o abuso de poder, o autoritarismo, ao desejo de controlar a imprensa e muitas outras”. Deu no que deu e dá no que dá não porque tenha sido resultante de algum “golpe militar”, mas porque ninguém, exceto o Exército de ontem e uns poucos mais que respeitavam as Instituições do Estado, cada um de seu jeito, levou-a de fato a sério. E, hoje, a sério ninguém mais a leva. À aversão ao exercício da função de manutenção da lei a da ordem, função que compete constitucionalmente às Forças Armadas do Estado, corresponde o desprezo dedicado aos símbolos nacionais, com equivalente peso e dimensão. As Forças Armadas “não devem” e “não podem” ser convocadas a unir-se ao povo para defender a República porque esse povo “deve” repudiá-las exceto quando são utilizadas em substituição à Defesa Civil que o povo não encontra por que organizar. Além de que, expurgado da vida política do País graças a gestões “radicalmente democráticas”, o Exército de hoje não mais é o Exército de ontem, e, assim como as demais Armas, não mais se mostra disposto a sair dos Quartéis sequer em defesa do princípio republicano adotado pelo Estado brasileiro – com o que se auto-imola, pois para manterem-se as leis e as ordens emanadas de qualquer governo bastam as Polícias. O resto é o resto. Muitas vezes esse resto não passará de hipocrisia. Quando não for apenas festejo. Quando não for má-fé. E o que nos sobra disso tudo é nada.

 

      Quem for minimamente inteligente (não será necessário ter um QI 180…) que tire suas conclusões. E poderá levar tão a sério os radicais da cretinice que se quer “democrática” – aqueles que, entre outras sugestões de semelhante teor, insinuam que podemos nos considerar invasores de nossa própria terra, aquela que foi conquistada palmo a palmo por nós mesmos – quanto os demagogos radicais da “democracia” vêm levando a sério a nossa República e nossas expectativas republicanas.

 

      Sem qualquer organização, sem qualquer solução sequer esboçada que pudesse ser dada à confusão que no País já foi muito bem armada, e propositadamente armada, sem contar com o respaldo das Armas do Estado (ou desdenhando desse respaldo, inclusive do que possa ser dado às pretensões do Governo eleito a se manter no Poder custe o que custar, e a agir de forma ainda mais voluntariosa, digamos, do que já vem agindo), com mais de 50 mil “guerreiros” (?) que só sabem choramingar contra a sorte fragmentados em mil grupelhos, com trocentas e tantas mil “lideranças” em permanente conflito que só sabem enunciar promessas de que nos levarão a uma “Terra Santa”, vale o risco de protestar por protestar, só para ver a festa rolar? Muita gente achou que não.

 

      Estará certa ou estará errada toda essa gente?  

 

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MANIFESTAÇÕES PARA O DIA 15 DE NOVEMBRO

 XIV – 022/14 – 13. 11. 2014

 SÁBADO 15/11

 Ao longo dos últimos dias entraram dezenas de mensagens, vindas de todos os cantos do país, contendo informações e pedidos para que todos aqueles que se sentem indignados com os rumos de nosso país, que não deixem de sair às ruas, neste sábado, 15 de novembro, data em que o país comemora (?) a Proclamação da República, para protestar contra o péssimo governo Dilma-petista.

1º GOLPE MILITAR

 Antes de tudo, porém, é preciso esclarecer que, independente da data escolhida para ir às ruas e protestar, a Proclamação da República foi o primeiro Golpe Militar que o país sofreu desde o ano de 1500, quando foi descoberto (ou invadido) pelos portugueses.

 Vale dizer que a Proclamação da República, que derrubou o Regime da Monarquia, foi urdida, exclusivamente, dentro dos quartéis. Não contou, portanto, com o apoio popular, que resultou surpreso com a decisão dos militares.

 INTERVENÇÃO MILITAR

 O curioso é que a grande maioria dos brasileiros só lembra do Golpe Militar de 31 de março de 1964, o qual, a bem da verdade, gostem ou não, naquele momento não passou de uma INTERVENÇÃO MILITAR, urdida e deflagrada a pedido do povo, que lotava as ruas com insistentes manifestações contra o Comunismo.

ATO INSTITUCIONAL 5

 O Golpe, propriamente dito, vale frisar, só veio a acontecer no Brasil em 13/12/1968, quando o general Costa e Silva baixou o Ato Institucional número 5 (AI-5), o qual conferia poderes extraordinários ao Presidente da República e suspendia várias garantias constitucionais.

 EXTENSA LISTA DE MOTIVOS

 Bem, voltando ao tema -Manifestações de Rua-, prometidas para o dia 15/11, onde a lista de motivos para tal mobilização, como bem escreveu recentemente o pensador (Pensar+) Rodrigo Constantino, além de necessária e muito bem-vinda, é bem extensa: vai desde a roubalheira impune, o abuso de poder, o autoritarismo, ao desejo de controlar a imprensa e muitas outras.

REAÇÃO DO GOVERNO

 O governo, como Constantino refere na sua coluna digital (Veja), teme gente nas ruas. O PT, por sua vez, sabe, perfeitamente, que perdeu o monopólio das manifestações. Por isso tenta desqualificar essas milhares de pessoas que espontaneamente se manifestam. Quer associar essa gente toda a “movimentos golpistas” ou antidemocráticos, reacionários que não aceitam as regras do jogo. Na verdade o que acontece é o contrário! Justamente por desejarem as regras do jogo é que protestam contra o PT, que fez o “diabo” para vencer. Querem investigações para comprovar a lisura do processo, e querem punições para os corruptos.

 TODO CUIDADO É POUCO

 Todo cuidado, portanto, é pouco. Sabemos, conclui Rodrigo Constantino, do que essa turma é capaz. Podem até mesmo infiltrar seus agentes nas passeatas para destruí-las de dentro, acusando-as de demandar golpe militar ou algo do tipo. Não! As manifestações devem clamar pelo respeito aos valores republicanos e democráticos, pelo fortalecimento de nossas instituições, e não sua substituição.

 Que todos lotem as ruas nesse feriado de nossa República, de forma ordeira e pacífica, com uma mensagem de resgate de uma democracia sólida. Que protestem contra essa “República de Bananas” que o PT vem instalando em nosso amado Brasil!

http://www.pontocritico.com/

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 SÍRIA: A HISTÓRIA DO CONFLITO EM 8 PONTOS

12 novembro 2014

Quase 200 mil sírios morreram no conflito entre forças leais ao presidente Bashar al-Assad e a oposição. O sangrento conflito destruiu bairros inteiros e forçou mais de nove milhões de pessoas a deixar suas casas. Esta é a história do conflito até agora, em seu quarto ano, em oito pequenos capítulos.

1. Protestos se tornam violentos

Protestos pró-democracia tiveram início em março de 2011 na cidade de Deraa, ao sul, após a prisão e tortura de adolescentes que pintaram mensagens pedindo a derrubada do governo no muro de uma escola. Após forças de segurança abrirem fogo contra manifestantes, matando dezenas deles, outros tomaram as ruas.

Manifestações se espalharam pelo país pedindo a renúncia de Assad. A violência usada pelo governo para reprimir a oposição aumentou a determinação dos manifestantes. Em julho de 2011, centenas de milhares de pessoas protestavam em todo o país contra o regime.

Opositores recorreram às armas, primeiro para se defender de forças de segurança e, depois, para expulsá-las de áreas locais.

2. Guerra civil

A violência cresceu e o país se viu numa guerra civil: brigadas de rebeldes foram formadas para enfrentar forças do governo na luta pelo controle de cidades e de regiões no interior do país. Os combates chegaram à capital, Damasco, e a segunda maior cidade síria, Aleppo, em 2012.

Até junho de 2013, a ONU estimava 90 mil mortos no conflito. No entanto, em agosto de 2014, este número tinha mais que dobrado, para 191 mil mortos.

Leia mais: Mortos em conflito na Síria já superam 191 mil, diz ONU

O conflito é mais do que uma guerra entre aqueles que apoiam e se opõem a Assad: tornou-se uma batalha de teores sectários, colocando a maioria sunita contra a minoria xiita alauíta do presidente, e envolveu os países vizinhos e as grandes potências ocidentais.

A ascensão de grupos jihadistas, incluindo o autodenominado ‘Estado Islâmico’, deu ao conflito uma dimensão maior.

3. Crimes de guerra

Uma comissão da ONU que investigou supostas violações de direitos humanos cometidas desde março de 2011, disse ter evidências de que ambos os lados cometeram crimes de guerra – incluindo assassinato, tortura, estupro e sequestros.

Estamos vivendo no limite da vida. Estamos sempre nervosos, estamos sempre com medo – Mariam Akash, cujo marido foi morto por um atirador

Forças do governo e rebeldes também foram acusados pelos investigadores de imporem sofrimento à população civil – como bloqueio do acesso a alimentos, água e serviços médicos – como método de guerra.

Na cidade de Aleppo, cerca de 2 mil pessoas morreram por bombas de barril – recipientes com óleo, explosivos e estilhaços – jogadas pelo regime em áreas controladas pelos rebeldes desde dezembro do ano passado. A ONU diz que, em alguns casos, reuniões de civis foram atacadas deliberadamente, constituindo massacres.

O grupo ‘Estado Islâmico’ também é acusado pela ONU de liderar uma campanha de medo no norte e no leste da Síria. Militantes decapitaram reféns e realizaram assassinatos em massa de membros de forças de segurança e minorias religiosas.

4. Armas químicas

Centenas de pessoas morreram em agosto de 2013 após foguetes com o agente nervoso sarin terem sido lançados contra diversos distritos rurais nos arredores de Damasco. Potências mundiais condenaram o ataque e disseram que este só poderia ter sido realizado pelo governo sírio. O regime e a Rússia, aliada de Damasco, culparam os rebeldes.

Leia mais: Sírios sentem-se esquecidos um ano após ataque químico

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, havia dito que o uso de armas químicas cruzaria uma “linha vermelha”.

Diante da possibilidade de uma intervenção militar americana, Assad aceitou a remoção completa ou destruição do arsenal químico sírio supervisionada por uma missão conjunta da ONU e da Organização para a Proibição de Armas Químicas. A destruição de agentes químicos e munições foi finalizada um ano depois.

Apesar da operação, a organização disse ter documentado o uso de agentes químicos, como cloro e amônia, em ataques do governo contra áreas controladas pelo governo entre abril e julho de 2014.

5. Crise humanitária

Mais de 3 milhões de pessoas deixaram a Síria desde o início do conflito, a maioria mulheres e crianças. É um dos maiores êxodos de refugiados na história recente. Os países vizinhos são os mais afetados, e Líbano, Jordânia e Turquia enfrentam dificuldades para acomodar o fluxo constante de refugiados. O êxodo teve uma forte alta em 2013 com a piora na situação na Síria.

Leia mais: Síria é ‘maior crise humana da nossa era’, diz ONU

Acredita-se que outras 6,5 milhões de pessoas, a metade crianças, tenham sido internamente deslocadas na Síria, levando o total de desalojados a mais de 9,5 milhões, metade da população do país. Cerca de 10,8 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária dentro da Síria, e 4,6 milhões vivem em áreas cercadas ou de difícil acesso.

Em dezembro de 2013, a ONU lançou um apelo com a meta de arrecadar US$ 6,5 bilhões (R$ 16,6 bilhões) para distribuir ajuda médica, alimentos, água, abrigo e serviços de saúde e educação.

6. Rebeldes e ascensão de grupos islâmicos

A oposição armada cresceu e há mais de mil grupos comandando cerca de 100 mil combatentes. Agora, moderados seculares foram superados em tamanho por militantes islâmicos e jihadistas, cujas táticas brutais causaram preocupações em todo o mundo e geraram confrontos entre rebeldes.

Capitalizando no caos na região, o ‘Estado Islâmico’ – grupo extremista que cresceu a partir da Al-Qaeda no Iraque – assumiu controle de grandes partes do Iraque e da Síria. Muitos de seus combatentes na Síria estão envolvidos em uma “guerra dentro da guerra”, enfrentando rebeldes que se opõem às suas táticas e forças curdas.

Leia mais: Análise: Hesitação dos EUA na Síria abriu caminho para extremistas na região

Em setembro de 2014, uma coalizão liderada pelos EUA lançou ataques aéreos dentro do Iraque e da Síria em uma campanha para “reduzir e destruir” o ‘Estado Islâmico’.

No campo político, grupos rebeldes também estão divididos – com alianças rivais brigando por supremacia. A mais prominente é a Coalizão Nacional Síria da Oposição e das Forças Revolucionárias, apoiada por diversos países do Ocidente e do Golfo Pérsico.

No entanto, a liderança do grupo é rejeitada por outros, incluindo a influente aliança Frente Islâmica, deixando o país sem uma alternativa nacional convincente ao atual regime sírio.

7. Esforços de paz

Com nenhum dos lados capaz de derrotar o outro, a comunidade internacional chegou à conclusão de que apenas uma solução política poderá por fim ao conflito na Síria. No entanto, diversos planos da Liga Árabe e da ONU falharam.

A decepção causada pela falta de ação do Ocidente criou uma terra fértil para extremistas fazerem recrutamentos, que dizem àqueles que perderam parentes que eles são a única esperança

Em janeiro de 2014, os EUA, a Rússia e a ONU realizaram uma conferência na Suíça para implementar o Comunicado de Genebra de 2012, um acordo com apoio internacional que incluía a criação de um governo de transição na Síria baseado no consentimento mútuo das partes.

As conversas fracassaram em fevereiro depois de apenas duas rodadas. O então enviado especial da ONU, Lakhdar Brahimi, culpou a recusa do governo sírio de discutir as exigências da oposição e o interesse em lutar contra “terroristas”, um termo usado por Damasco para descrever grupos rebeldes.

O novo enviado da ONU, Staffan de Mistura, também propôs a criação de “zonas livres”, onde cessar-fogos locais seriam negociados para permitir o acesso de ajuda em áreas cercadas.

8. Além da Síria

O que começou como mais um protesto da Primavera Árabe contra um líder autocrático se transformou numa guerra com vários jogadores regionais e do mundo.

O Irã e a Rússia apóiam o governo do presidente Assad e dão ao regime uma vantagem que tem ajudado-o a realizar avanços significativos contra os rebeldes. Assad também tem apoio do grupo islâmico xiita libanês Hezbollah.

A oposição sunita tem apoio de Turquia, Arábia Saudita, Catar e outros países árabes, além de EUA, Grã-Bretanha e França. O crescimento de milícias radicais islâmicas entre os rebeldes, no entanto, e a chegada de jihadistas sunitas de diversos países forçou uma redução do apoio internacional e regional.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141112_siria_explainer_hb 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

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