Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

ou BASTA DE PT… ONDE?

 

 

 

 

     A questão agrária é um nó górdio em qualquer projeto de qualquer um que tenha por expectativa fazer do Brasil um País que viva em paz de forma decente e justa. Nunca, na história deste País, antes ou depois de que qualquer coisa possa ter acontecido, quem quer que fosse que tivesse um mínimo de discernimento manifestar-se-ia contra uma reforma agrária. Nem mesmo os Presidentes militares e quem os apoiou foram contra uma reforma agrária – fato de que, ao que tudo indica, todo mundo já se esqueceu.

(www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4504.htm; www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4947.htm)

 

     Embora tenha garantido, nos últimos tempos, terras a quem as deixa ao deus-dará, arrancando-as das mãos calejadas de quem nelas produzia, o nosso Congresso não se preocupou com fazer reforma agrária alguma. Muito menos nos últimos 30 anos.

 

     Até hoje, a reforma agrária mora na cabeça dos indignados, nos planos dos mais e dos menos sensatos, que não saem do papel, e na garganta dos agitadores exaltados. O que temos no campo é uma violência desregrada, as invasões, as mortes, as concessões, os votos de cabresto… De reforma agrária, que é bom, nada. Nem sombra.

 

  boné MSTO MST diz que quer uma reforma agrária. Que mais quer o MST?

 

     A matraca de Marina Silva também diz que quer uma reforma agrária. E apóia o MST.

 

     O bumbo de Luíza Erundina do PSB, não menos radical que o de Luciana Genro do PSOL, não apenas agora a acompanha como desde sempre diz que quer uma reforma agrária. E que apóia o MST. Agora, o bumbo avisa que, no 2º turno, quem terá seu apoio é “nem Aécio nem Dilma. Nós não dissemos o tempo inteiro, na campanha, que queríamos mudança? Não propúnhamos o tempo inteiro o fim da polarização? … Nós temos que ser minimamente coerentes. Sem o que, não vale a pena“.

(www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2014/10/1528652-nem-dilma-nem-aecio-temos-que-ser-minimamente-coerentes-diz-erundina.shtml)

 

     Que é o que “vale a pena”? Que mais quer Luíza Erundina? Que mais quer o PSB?

 

     A filarmônica e o coral dos “pensadores de várias origens e atividades, poetas, atores, professores universitários, escritores e líderes de ONGs” afinam os instrumentos e os gogós para executar a partitura dodecafônica composta especialmente para celebrar o momento: “Antes de terminar o domingo da eleição, um grupo de intelectuais que no primeiro turno apoiaram Aécio Neves e Marina Silva divulgou um curto manifesto de defesa da união entre os dois. Gestado nos dias anteriores, a nota poderia ter o mesmo texto, mudando os personagens de posição, qualquer dos dois que passasse ao segundo turno.”

(www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1527996-intelectuais-apoiadores-de-marina-divulgam-carta-a-favor-de-aecio-neves.shtml)

 

     Os “pensadores de várias origens e atividades, poetas, atores, professores universitários, escritores e líderes de ONGs” dizem, faz tempo, que querem uma reforma agrária. E apoiam o MST. Que mais querem “pensadores de várias origens e atividades, poetas, atores, professores universitários, escritores e líderes de ONGs”?

 

arte em movimento

 

      Reforma agrária, se levada a sério, é coisa muito séria. Exigirá investimento em infraestrutura e muita ordem no pedaço. Qual seria a diferença entre o que quer o MST e uma reforma agrária que acudisse com justiça e eficiência às necessidades do “povo do campo” (se assim podem ser denominados os ainda arraigados e os já desarraigados do campo e da atividade agrícola, pondo-se em contraste com o tal “povo da floresta”)?

 

     Marina, sabemos quem é, e sabemos o que quer. E o que não quer.

 

     Hoje, quando “oficializaria o apoio ao tucano em Brasília… desistiu da viagem em cima da hora” (!). Até o momento, por sua omissão, demonstra apenas que direta ou indiretamente apóia Dilma Rousseff do PT – que diz ou pelo menos dizia que quer uma reforma agrária e apóia o MST. A omissão de Marina significa a indução ao voto nulo ou em branco – que significa um voto a menos contra Rousseff.

(www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1529731-marina-adia-declaracao-de-apoio-a-aecio-no-segundo-turno.shtml)

 

     Quais são, afinal, as propostas de Marina?

 

     “Marina Silva (PSB) bateu o martelo sobre as condições que determinarão seu apoio a Aécio … o tucano precisa fazer um aceno à esquerda, principalmente aos movimentos sociais. … Marina definiu que a reforma agrária e o comprometimento com os índios e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra figuram entre as prioridades para que seu apoio a Aécio seja público. … precisa ser “convencida” de que a candidatura do PSDB firmará compromissos com segmentos da sociedade que votaram nela em 2010 e em 2014. … ‘Marina não vai ao encontro de Aécio. Ele que precisa ir ao encontro dela’ … que dê sinais públicos de que fará flexões à esquerda. … Marina … exigirá que o tucano se comprometa pessoalmente com temas como a demarcação de terras indígenas, mantendo o poder da Funai, e a reforma agrária, com assentamentos populares.

(www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1529226-marina-quer-aceno-tucano-a-mst-e-indios-para-apoiar-aecio.shtml)

 

     Quando resolver proclamar quem é que apoiará nesse 2º turno, saberemos se é de fato a rainha da cocada preta ou só pensa (como alguns pensam) que é.

 

     Mas qual é, afinal, o programa de Aécio Neves (aecioneves.com.br/diretrizes.php ) ? Aécio apresentou alguma proposta para resolver a questão agrária?

 

     “‘Vejo absoluta convergência com aquilo que pensamos e com aquilo que queremos para o Brasil. Se vocês avaliarem os nossos programas vão encontrar muito mais pontos de convergências do que pontos divergentes’, afirmou Aécio referindo-se às propostas de Marina.

(www.psdb.org.br/aecio-afirma-ter-absoluta-convergencia-com-propostas-de-marina-para-o-brasil/)

 

     Caso Aécio mereça o precioso apoio de Marina, é que as propostas dos “segmentos da sociedade que votaram” na sempiterna candidata foram incluídas em seu programa de governo. E esses “segmentos da sociedade” nele poderão votar. Ou votarão em Rousseff. Muitos estarão seguros que tanto faz. Tanto faz? Talvez sim, talvez não. Mas, com isso, saberemos um pouco mais de Aécio.

  

     E que é o que muda com tudo isso? Nada. Manter-se-ão inalterados a violência no campo, as mortes, a injustiça, a fome, a seca, os votos de cabresto, o inchaço artificial das cidades e das “populações indígenas”… a possibilidade que sempre tivemos de dizer que desmiolados e/ou radicais são “os outros”… E, talvez, em nós, porque somos teimosos, manter-se-á a expectativa de que, algum dia, seja interrompido esse barulho infernal de uma nota só, apesar de que não seja uníssono porque todos os timbres são desafinados; e a de que, recolhendo-se à sua insignificância política, a unanimidade festiva de… “centro-esquerda” (?) que um dia levamos e continuamos a levar a Brasília com nossos votos sempre muito entusiasmados nos dê alguns instantes de sossego para pôr minimamente em ordem nossas idéias.

 

 

 

  

 

 

 

 

 

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