Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

 

 

 

     A Democracia alimenta os espíritos mais elevados. E os mais rasteiros. Em nome dela, entendida como seja lá o que for, a qualquer um será dado dizer – e fazer – o que bem entende. A alguns é dado ler o que lhes interessa e entender como bem queiram entender. A muitos é dado ingerir o que bem lhes for disponível. E a todos é dado metabolizar – reagir, sintetizando, desassimilando e liberando energia (*) – da forma como lhes for possível.

 

     Leio que, aos famintos de “ética política”, algumas opções tratam de incluir-se no cardápio eleitoral e se oferecem ao consumo. Os títulos sugerem que sejam de “direita”, de “centro”, de “esquerda”… “progressistas”… “nacionalistas”… até “conservadoras”… seguindo alguma receita antiga encontrada de repente no fundo de uma gaveta.

 

     Entendo que são sopas de preparo rápido.

 

     E digo que, a considerar os ingredientes, são, todas elas, uma mesma sopa. São feitas com água da bica sem filtrar engrossadas por uma mesma farinha de má qualidade. Nada mais contêm. Uma essência artificial lhes empresta sabor. Um sabor artificial de… qualquer coisa. A indústria (“democrática”) procura atender a paladares diversificados.

 

     Fervem-se, todas essas sopas, em uma mesma panela. Incorporam-se àquela sopa rala e mal cheirosa (também já rotulada de “democrática”) que já enche as duas cuias do Congresso, da qual, de quatro em quatro anos, sempre sobra um bocadinho – sopa que, por ser “básica”, sem cor e sem sabor, poderá ser servida com pimenta, com caviar, com cachaça, uísque, champanhe… Já houve quem a servisse com poire, lembram-se?

 

     Digo também que, nutrir, essas “novas” sopas não nutrem; e que sustância não dão. Nem podem dar. Vê-se algo sendo semeado e cultivado, um tempero que fosse, para que possa ser usado no preparo de alguma porção diferente, mesmo que mágica não seja?

 

     Digo ainda que até esquentam as tripas. Esquentam, sim, reconheço. Mas considero que só levam o sistema político à obesidade. E que nenhuma delas dá para engolir.

 

     Talvez por isso nos deitemos, preguiçosos, em nossa cama de pregos, a esperar, ressonando, não sabemos exatamente bem quê.

 

     Bem, dizem que o sono também alimenta…

 

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(*) metabolismo – … reações de síntese () e reações de desassimilação () que liberam energia – Dicionário Houaïss

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repassando:

     http://blogandofrancamente.blogspot.com.br/2012/07/oportunistas-gracas-deus.html

     segunda-feira, julho 30, 2012

     OPORTUNISTAS, GRAÇAS A DEUS.(*)

     (…) Pode-se afirmar que o excesso de partidos políticos – ou excesso de oportunistas – é nada mais, nada menos do que, os “oportunistas” se estabelecendo “comercialmente” com direito a verbas públicas, propaganda gratuita na TV e mandatos regiamente pagos; sem nos esquecer de outras facilidades como o enriquecimento ilícito.

     A mais nova esperança de uma “direita”- ou a mais recente oportunista – se chama Cibele Bumbel Baginski, gaúcha de 22 anos que organiza o movimento pela refundação da Arena, o partido criado para dar sustentação ao regime militar.

                     

      Cibele Bumbel Baginski 3

     

     Na Veja ela se autodefiniu:

     Como surgiu a ideia de refundar a Arena?

     Faltam ideologia e pragmatismo na política nacional, os partidos são movidos por interesses e conveniências e não existe direita no Brasil. Queremos oferecer aos brasileiros um partido que represente a genuína direita. Faremos isso assim que reunirmos o número de assinaturas necessárias para obter o registro da Arena, o que deve ocorrer no ano que vem.

     Você pretende copiar o ideário do partido original?

     Vamos nos inspirar nos fundamentos da Arena, sim. Existe um marketing para dizer que ser de direita é ruim e retrógrado, mas ser de direita é ter respeito às pessoas, é promover mudanças econômicas e sociais de maneira ordeira, sem caos, pensando no progresso do país em primeiro lugar.

     O que vocês defendem?

     Somos conservadores e nacionalistas. Estruturalmente, seremos uma sigla de alianças, como a original, e abarcaremos outras ideias, como o integralismo, por exemplo.

     Por que você acha que o projeto será bem recebido?

     As pessoas mais velhas, que têm saudade da Arena, certamente vão gostar. Um general me procurou e elogiou a iniciativa. Os jovens que já buscaram conhecer a história do país também vão abraçar a causa. Meus amigos de esquerda é que não curtiram.

     Nas páginas do Facebook ela também se definiu:

     – Religião:Católica não praticante (como a maioria dos católicos)

     – Preferência política: Monarquia (será? Mas vejamos o que a atrai no monarquismo)

     “sim, eu gosto de militarismo, porém sim, eu também gosto das coisas do jeito mais tradicional, e eu ainda quero um título de nobreza um dia porque é bonitinho, ok. não, eu não digo isso sem saber o que falo, mesmo que pareça somente mais um comentário de uma garotinha que não entende de política… é só o meu jeito de lidar com as coisas.

     e sim, eu sou a favor de algumas leis mais rígidas ou da velha guarda, porque naquele tempo ou as coisas se resolviam ou alguém levava chumbo… por exemplo, eu gosto do Código Civil Brasileiro de 1916, permitia o duelo… e o mais irônico, ele ficou por aí até 2002, me admira que os juízes não usassem esse dispositivo legal!

     pensem o que quiserem, e entendam como quiserem, sobre tudo eu posso dialogar, e é pra isso que estou aqui, afinal se eu fosse uma eremita não teria feito um facebook. beijos”

     Cibele Bumbel Baginski tem blogs: http://ladybaginski.blogspot.com.br/ – http://chamanachincha.blogspot.com.br/ e uma página http://meadiciona.com/ladybaginski onde exibe onde pode ser encontrada em todas as redes sociais.       (…)

     “Eu não sou a pessoa mais legal do mundo, mas eu conheço piores.

     Eu não sei falar de mim, mas eu consegui escrever um livro (publicado, fora o resto…).

     Eu posso ter um ego maior que eu às vezes, mas as pessoas que me conhecem sabem que eu amo elas.

     Eu sou amaldiçoada a transformar meus sentimentos em palavras e se me conheceres talvez um dia faça parte de um de meus livros, mas mesmo assim… não me cobre royalties, ok?”

     Será que realmente Cibele tem o perfil da velha Arena? É sentar – em berço esplêndido – e esperar para as primeiras “alianças” políticas se e quando o partido sair da prancheta.

     (*) Apenas lembrando um livro de Zélia Gatai (Anarquistas, graças a Deus).

     Por CAntonio 7/30/2012 07:36:00 AM

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    http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2012/11/estudante-que-tenta-ressuscitar-arena-e.html

     sexta-feira, 16 de novembro de 2012

     Estudante que tenta ressuscitar Arena e é contra cotas e Bolsa-Familía, é bolsista do Prouni

     Cibele Bumbel Baginski, que foi filiada ao DEM, é contra cotas e o Bolsa Familía é Bolsista do Prouni (Programa Universidade para Todos) do governo Lula.

     A estudante tenta refundar a Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido que apoiou a ditadura militar no país, diz que é agradecida ao ex-presidente Lula pelo financiamento de seus estudos. Presidente da sigla Arena, a gaúcha Cibele Baginski recebe bolsa integral do programa federal para cursar Direito na Universidade de Caxias do Sul (RS)

     Cibele, porém, diz não enxergar contradição entre sua bolsa e a posição adotada pela nova Arena. “Prouni não é cota. E completa: “O Prouni, graças a Deus, ainda não tem cota. Todo mundo pode entrar independente de cor, opção sexual ou anteninhas na cabeça ou não” diz ela.

     ProUni, também é cotas…

     O Prouni, que concede bolsas de estudo em instituições privadas do ensino superior a alunos de baixa renda, foi criado pelo governo Lula em 2004 e começou a vigorar no ano seguinte. O programa reserva cotas para pessoas com deficiência e alunos negros, pardos e indígenas.      (…)

      

      

 

 

   

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