Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

 

 

 

     Nas Olimpíadas de Londres/2012, o Brasil perdeu para Cuba no cômputo geral das medalhas: “apesar dos mais de cem bilhões de reais a mais de investimento, os anfitriões dos próximos jogos, em 2016 no Rio de Janeiro, não evoluíram como o esperado. (…) Enquanto os brasileiros levaram 257 atletas, Cuba conseguiu uma atuação melhor levando apenas 110” http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/23642/

   

      Da delegação de atletas brasileiros que disputaram jogos em 32 modalidades, 51 eram militares. Das 17 medalhas obtidas por esses atletas brasileiros, 5 nos foram trazidas – além de a Sargento Fernanda Garay ter brilhado no time de vôlei que nos garantiu o bi-campeonato olímpico – por atletas militares: uma de ouro, de Sarah Menezes no judô, 3 de bronze, também no judô, de Mayra Aguiar, Rafael Silva e Felipe Kitadai e mais uma, no pentatlo, de Yane Marques. Sem patrocínio privado, Yane vira militar e dá salto na carreira (…) Em 2009, Yane foi uma das primeiras atletas brasileiras a serem integradas ao Exército, com o objetivo de se formar uma equipe forte para os Jogos Mundiais Militares do Rio, disputados em 2011. Como sargento da instituição, ela passou a contar com estrutura e apoio financeiro, elementos fundamentais em um esporte caro como o pentatlo (…) ’Hoje ela vive graças ao apoio do Exército e da Bolsa Federal. Isso é o que sustenta ela. Recebemos total apoio do COB para treinamentos, mas é um esporte dispendioso, não é uma coisa barata. Sem esse apoio do Exército, a gente não conseguiria’ (…) além das cinco modalidades praticadas (esgrima, hipismo, natação, tiro e corrida), Yane precisa praticar musculação e ter uma equipe que inclui psicólogo e nutricionista, além dos deslocamentos para treinos. Yane (…) mora no Recife. Já França [o treinador] fica em Porto Alegre. Os trabalhos feitos em conjunto acontecem na Escola de Educação Física do Exército, no Rio, onde há todas a [sic] estrutura necessária (…) Os treinos, de segunda a sábado, variam de 6 a 8 horas por dia. Portanto, não há muito espaço para que ela tenha outra atividade.” http://www.montedo.blogspot.com.br/2012/08/sem-patrocinio-privado-yane-vira.html      

      

     Com vistas a repetir em 2012 o ouro conquistado em 2008 pelo vôlei feminino, o Brasil já em 2010 mais abria seu caminho e seria campeão da Superliga: “Campeãs mundiais militares se destacam na Superliga feminina de vôlei (…) a Seleção Brasileira Militar feminina de vôlei sagrou-se campeã mundial em 2010, ao superar a Alemanha na final. (…) Entre as atletas militares, o grande destaque do fim de semana foi a meio de rede Sargento Natasha, que levou pra casa o Troféu Viva Vôlei de melhor jogadora em quadra na vitória do Usiminas/Minas sobre o Pinheiros, fora de casa, por 3 sets a 1. A Sgt Michelle também esteve em quadra pela equipe mineira. (…) a equipe carioca conta com as meios de rede Sgt Juciely e Sgt Valeska e a ponteira Sgt Regiane. A levantadora Sgt Ana Cristina ajudou o Vôlei Futuro a derrotar o Macaé, das Sgt Camila Adão (levantadora) e Sgt Monique (oposto). (…) A exceção entre as atletas militares campeãs mundiais em 2010 na Superliga é a Sgt Fernanda Garay (ponteira), que está no NEC, do Japão.” http://www.revistaforcasarmadas.com.br/revista/noticias/campe-s-mundiais-militares-se-destacam-na-superliga-feminina-de-volei

      

     Não entendi muito bem, mas não faz mal, vamos em frente. Em 2012,  “a torcida que lotou a Arena em Londres viu um Brasil gigante. Valente. Campeão. Bicampeão olímpico. A vitória na final (…) mostra que (…) as meninas não têm medo de bicho-papão. (…) Para um grupo tão acostumado a viradas heroicas, nada mais adequado do que festejar a conquista trocando o tradicional peixinho por cambalhotas em série no chão da quadra, diante de um ginásio lotado e eufórico. http://arymoura.wordpress.com/2012/08/11/olimpiadas-brasil-e-bi-no-voleibol-feminino/

      

     Tudo isso aí é verdade. Ou deve ser, porque está publicado. As cambalhotas também. Verdade verdadeira. E a verdade como verdade deve ser reconhecida. Ainda mais quando muito nos alegra.

 

     Perdemos para Cuba? Ora, pouco importa – como já bem sabemos, somos todos irmãos, portanto, somos amigos, e toda disputa internacional faz-se só por esporte. E os amigos de nossos irmãos serão nossos amigos, bem poderão também querer jogar no nosso time. Mesmo assim, para que a alegria também seja permanente entre nós, que não temos medo de bicho-papão, é preciso evoluir.

 

     E é, então, preciso investir mais. Em nós. Como o Exército Brasileiro investe. Para cuidar do Esporte, temos, sim, um Ministério do Esporte. Mas não teríamos hoje tantas belas medalhas no peito caso o Exército Brasileiro não participasse do preparo físico dos atletas e também muito empenhasse recursos materiais e morais para obter tais resultados. Ganhamos 17 medalhas de ouro, de prata, de bronze, e, acima de tudo, ganhamos uma medalha de lata, a mais reluzente entre todas, que também o EB conseguiu, embora não exatamente sozinho, que neste ano de 2012 lhe fosse concedida por reconhecimento de méritos, medalha essa última que promete ser só nossa, do Brasil, por muito e muito tempo: “Segundo relato de generais, há munição disponível para cerca de uma hora de guerra.(…) ‘Nós perdemos nossa capacidade operacional, sabemos dessa defasagem. A obsolescência é grande’ (…) a abertura democrática e a criação do Mercosul provocaram mudanças na forma da população conceber a proteção do país, Consequentemente, foram feitos cortes nos investimentos militares. (…) ‘O emprego dos militares tem sido bem diferente nos últimos anos, seja em ações de defesa civil, de segurança pública, de apoio aos órgãos estaduais. E isso demanda alterações estruturais profundas na política, na mentalidade da população e em investimentos’ (…) o ex-ministro de Assuntos Estratégicos Roberto Mangabeira Unger, que escreveu o texto da Estratégia Nacional de Defesa, disse que se considerava ‘moralmente impedido de falar’ devido à ‘relação íntima e especial com as ações e tarefas de que tratará a reportagem’. (…) o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que também assinou a END em 2008, disse que não iria comentar a situação, pois não ocupa mais o cargo.”  http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/08/sucateado-exercito-nao-teria-como-responder-guerra-dizem-generais.html?

      

     Estão corretas, pois, as nossas autoridades, não deixando, jamais, o dito pelo não dito, nem o feito pelo não feito. Confiemos nelas. Houve um sério e pesado investimento nisso tudo, e não ele é de hoje, também devemos reconhecer. Que resultou em que alcançássemos e consolidássemos posições por muitos de nós, há muito tempo, ambicionadas. Por certo, as medalhas, nós as merecemos. Todos nós. Merecemos todas essas medalhas e muitas mais. E, também por certo, com elas, as FFAA vêem, mais uma vez, justificados seu orgulho e a sua existência como instituição nacional permanente. “Para um grupo tão acostumado a viradas heróicas, nada mais adequado do que festejar a conquista trocando o tradicional… por cambalhotas em série…”

 

     Vai daí… … quê?     

  

 

 

 

  

  

 

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