MUDANÇAS

31-01-2015
Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

 

 

 

 “Affinché niente cambi, bisogna che tutto cambi” – disse o arguto Tancredi ao preocupado Dom Fabrizio Salina (“Il Gattopardo” de Giuseppe Tomasi di Lampedusa).

 

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      A imanência do que normalmente é chamado de “populismo” (e eu chamo de demagogia, pura e simplesmente) se manifesta plenamente na tendência dita “política” em voga na atualidade. A mais recente fantasia que hoje reluz entre as que vestem a velha esquerda e a deixam permanentemente sedutora como se nova em folha fosse se ajusta com alfinetes, alinhavos e pespontos como uma luva ao corpo das massas das mais diversas paragens. Todos querem “mudanças” – exatamente quais, por quais métodos, ninguém sabe. E pouco importa saber. “Mudanças” é uma palavra de ordem bastante sonora, que evoca audácia, de teor tão amplo, tão convenientemente abrangente, que é capaz de comover e entusiasmar rebeldes adolescentes de todas as idades, de todas as ideologias, de todos os estratos sociais.


      Essa imanência populista levou a rapaziada sarada do Syriza, com maioria de votos quase absoluta obtida em curto tempo, ao poder na Grécia. Portugal rói-se de inveja e dor de cotovelo. O Partido espanhol conhecido pelo nome de “Podemos” (será que vem pagando direitos autorais ao marqueteiro de Obama?) reúne milhares nas praças, entre os quais “Angel … de 37 anos … porque acredita que Espanha precisa de mudar, que as políticas do Governo de Mariano Rajoy estão comprovadamente erradas. Quanto às idéias de Pablo Iglesias e do Podemos, sabe pouco: ‘principalmente acredito que é preciso uma limpeza da classe política em Espanha. É isso que o Iglesias diz e eu acredito nisso’.”


      Por aqui, entre nós, ainda se busca um “líder” que nos oriente a respeito do que deverá ser mudado. Logo aparecerá alguém de bom porte e boa conversa. Quando aparecer, tudo resolvido… porque o apoio das massas ele terá. O importante é termos a certeza de que estamos na onda mais progressista que banha a Humanidade. A tendência já se vem impondo aos pouquinhos – chegou aos lares por vias virtuais e vai às ruas, embora em uma versão ainda meio acanhada. Todos queremos “mudanças” – uma palavra de ordem bastante sonora que não nos custa repetir sem refletir. As políticas de nosso Governo também estão comprovadamente erradas e mudar o erro pelo acerto é necessário. Exatamente como se definirá esse acerto, por quais métodos será ele obtido, ninguém sabe e pouco nos importa saber. Para que nos preocuparmos por antecipação? O que o “líder” disser, aplaudiremos. Porque nele acreditaremos.


      Se essa tendência crescer como promete, abre-se apenas (mais) um caminho alternativo do nada para o coisa nenhuma. Mas… iremos em frente porque em frente é preciso ir… Afinal, se tudo se resume a ter fé e a pagar para ver, em fazer isso estamos viciados faz tempo. E isso é algo que ninguém, ninguém mesmo, há de querer mudar…  

 

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 http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=4374332&page=-1

Espanha, Europa, Internacional, Madrid, Manifestação, Partido Podemos

Dezenas de milhares vindos de toda a Espanha enchem Praça Cibeles

Última atualização hoje às 12:55, Publicado hoje às 12:22

Dezenas de milhares de pessoas enchiam pelas 12:30 (hora local) a Praça Cibeles e a subida da Rua de Alcalá (Madrid), em frente ao Banco de Espanha e ao Instituto Cervantes, para participarem na “Marcha da Mudança”, organizada pelo partido Podemos.

 A praça e ruas adjacentes estavam pelas cerca das 11:30, hora em Lisboa, pintadas de roxo com os cartazes do Podemos.

 Angel, um cidadão de Alicante, de 37 anos, juntou-se à manifestação do Podemos com a família, porque acredita que Espanha precisa de mudar, que as políticas do Governo de Mariano Rajoy estão comprovadamente erradas.

Quanto às ideias de Pablo Iglesias e do Podemos, sabe pouco: «principalmente acredito que é preciso uma limpeza da classe politica em Espanha. É isso que o Iglesias diz e eu acredito nisso».

O aparato policial na manifestação não é muito intenso, mas há polícias em frente aos principais edifícios ligados ao poder local, como a Câmara Municipal de Madrid, bem como um helicóptero a sobrevoar em permanência o espaço da manifestação, que decorre com tranquilidade.

Juntaram-se à marcha pessoas vindas de todos os lados de Espanha. O Podemos conseguiu reunir 260 autocarros, com 40 lugares cada um.

 

 

 

 

 

 

 

 

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