Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

 

 

 

      Tentemos compreender o que nos diz a notícia:

 

 “…um médico cubano que trabalhou na África, Guatemala e Venezuela, se prepara juntamente com dezenas de compatriotas para trabalhar nas aldeias indígenas mais distantes da Amazônia, que os médicos brasileiros não querem ir. … ‘Estou muito animado’, explica este afro-cubano procedente de Cienfuegos …  Seu destino será o Vale do Javari, uma área de tribos isoladas na fronteira com o Peru. … O governo de Dilma Rousseff lançou o programa Mais Médicos para preencher 15 mil vagas nas regiões remotas e pobres do país. ‘O principal problema será a língua. … os indígenas não falam português, vamos ter que aprender’ … Ruberilson, 12, dono de um belo sorriso … caminha batendo com sua bengala entre os cubanos … se comunica em idioma ianomami. … ‘Era um tumor benigno, mas demorou a ser atendido e afetou o nervo óptico. Será difícil seu retorno para a aldeia ianomami, porque é uma sociedade onde cada um tem sua função, pescar, caçar’, explica uma encarregada do curso para os cubanos. … ‘estas praças muitas vezes rejeitadas pelos médicos brasileiros … são áreas muito remotas e que requerem uma habilidade para tratar com uma cultura e hábitos muito diferentes’, explica à AFP Antonio Alves de Souza, secretário de Saúde Indígena do governo brasileiro.  … ‘Não pode chegar alguém com essa visão de que a ciência do homem branco domina o mundo’, explica. … ‘A saúde no país estava cada vez mais precária. … médicos estrangeiros … talvez incentivem nossos médicos a trabalhar melhor’ … diz … enfermeira da Casa de Saúde Indígena. … A concentração de médicos nos grandes centros acompanha a de outros profissionais de saúde, como dentistas e enfermeiros, e a de unidades de saúde. Onde falta um, faltam os outros.“ http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/afp/2013/09/09/medicos-cubanos-vao-para-aldeias-e-temem-problemas-com-a-lingua-indigena.htm

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      Tentemos.

 

      Até que dá para compreender por que Ruberilson, que tem 12 anos e se diz um ianomami, chama-se Ruberilson.

 

     O que não dá para compreender é por que Ruberilson não fala português. E não dá para compreender por que um cubano contratado pelo Governo brasileiro à nossa custa deva aprender ianomami à nossa custa para poder ser compreendido e poder compreender o que os nossos Ruberilsons possam querer dizer.

 

     Não dá, também, para compreender por que o Governo brasileiro deva nomear um secretário para que cuide exclusivamente da Saúde indígena. Nem dá para compreender por que indígenas não possam e não devam compreender que a ciência do homem branco domina o mundo, nem possam nem devam compreender por que essa ciência, que domina o mundo, domina o mundo. Muito menos dá para compreender por que os brasileiros todos, de todas as origens e cores, não consigam compreender o que significa dominar e gastem seu tempo brincando com coisa séria.

 

     O que não dá para compreender, ainda, é onde e como o Comandante do EB, nossa Força de Terra, que é encarregada de ocupar os nossos espaços levando o Estado brasileiro a todo nosso território – Força essa que possui um Corpo Médico assim como as demais Forças –, poderia encontrar palavras que explicassem o abandono em que se encontra esse território e o abandono em que se encontra a sua população a ponto de que nos seja necessário entregá-la à responsabilidade e aos cuidados de terceiros.

 

     E não dá para compreender, tampouco, por que a Inteligência brasileira, que tanto se agitou com o voyeurismo de Obama, não seja capaz de projetar as consequências desse abandono ou as conseqüências da forma como o(s) Governo(s) brasileiro(s) decidiram empenhar-se em contorná-lo.

 

     Ou devemos compreender que todos aqui estão (estamos) dedicados a facilitar essas conseqüências?

 

     É fácil, é muito fácil, mesmo, compreender os problemas nacionais e a razão deles todos.

 

     O difícil, o que é difícil, mesmo, é compreender por que é tão difícil encontrar brasileiros que os queiram resolver com um mínimo de consciência, competência e destemor.

 

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Saúde pública

Médicos cubanos vão para aldeias e temem problemas com a língua indígena

AFP Em Brasília – 09/09/201313h25 

Bernardo Madrazo, um médico cubano que trabalhou na África, Guatemala e Venezuela, se prepara juntamente com dezenas de compatriotas para trabalhar nas aldeias indígenas mais distantes da Amazônia, que os médicos brasileiros não querem ir.

“A Amazônia será muito diferente do que fiz antes. Estou muito animado”, explica este afro-cubano procedente de Cienfuegos, 47 anos e 23 de experiência médica (dois na Guatemala, dois no Lesoto e quatro na Venezuela). Seu destino será o Vale do Javari, uma área de tribos isoladas na fronteira com o Peru.

 O governo de Dilma Rousseff lançou o programa Mais Médicos para preencher 15 mil vagas nas regiões remotas e pobres do país. Serão 4.000 médicos cubanos e centenas de argentinos, venezuelanos, espanhóis e portugueses.

 “O principal problema será a língua. Estudamos muito português, mas os indígenas não falam português, vamos ter que aprender suas línguas”, explica Ania Ricardo, outra cubana que passou três anos em bairros pobres e violentos de Caracas e que agora irá para uma aldeia no rio Solimões, na Amazônia.

 Junto com outros 40 compatriotas que chegam ao Brasil com um contrato de três anos, Madrazo e Ricardo tiveram seus primeiros contatos com indígenas brasileiros na última sexta-feira (6), com um treinamento na Casa de Saúde Indígena, a 25 km de Brasília, um local que abriga pacientes submetidos a tratamentos e cirurgias complicados em todo o país.

 Ruberilson, 12, dono de um belo sorriso e grandes cicatrizes escondidas por um boné, caminha batendo com sua bengala entre os cubanos depois de ter ficado cego há alguns meses. Ele se comunica em idioma ianomami.

 “Era um tumor benigno, mas demorou a ser atendido e afetou o nervo óptico. Será difícil seu retorno para a aldeia ianomami, porque é uma sociedade onde cada um tem sua função, pescar, caçar”, explica uma encarregada do curso para os cubanos.

 Doença do espírito

 “O governo está determinado a dar prioridade à saúde indígena e cobrir estas praças muitas vezes rejeitadas pelos médicos brasileiros porque são áreas muito remotas e que requerem uma habilidade para tratar com uma cultura e hábitos muito diferentes”, explica à AFP Antonio Alves de Souza, secretário de Saúde Indígena do governo brasileiro.

 “São culturas que consideram o pajé como um médico e acreditam que a doença é do espírito e não do corpo. Não pode chegar alguém com essa visão de que a ciência do homem branco domina o mundo”, explica.

 A melhoria dos serviços de saúde pública foi uma das grandes reivindicações das manifestações que tomaram as ruas do Brasil em junho. Mas o programa também gerou controvérsia.

 Apesar de os médicos estrangeiros irem para as praças em que os brasileiros não vão, alguns deles foram recebidos nos aeroportos com vaias e declarações racistas.

 A polêmica surgiu porque os cubanos recebem apenas parte dos R$10 mil reais que o Brasil paga, uma vez que o dinheiro é destinado ao governo de Havana. “Em Cuba, temos tudo garantido pelo Estado, eu não paguei um centavo para me formar, é nosso sistema, como também nos incutem a solidariedade de sair para exercer (a medicina) fora”, explica Ania Ricardo.

 Sétima economia do planeta, o Brasil tem uma taxa de 1,8 médico por 1.000 habitantes, menos que Argentina (3,2) ou Grã-Bretanha (2,7).

 “A saúde no país estava cada vez mais precária. Realmente precisamos destes médicos estrangeiros que talvez incentivem nossos médicos a trabalhar melhor e quererem ir a locais distantes”, diz Kenia Gomes de Matos, enfermeira da Casa de Saúde Indígena.

Onde falta médico, faltam dentistas e enfermeiros, mostra pesquisa

A concentração de médicos nos grandes centros acompanha a de outros profissionais de saúde, como dentistas e enfermeiros, e a de unidades de saúde. Onde falta um, faltam os outros.

 É o que o mostra um recorte da pesquisa Demografia Médica no Brasil, que se baseou em dados da AMS (Assistência Médico-Sanitária) do IBGE, que conta os postos de trabalho ocupados por profissionais de saúde

 

    

   

  

 

 

 

 

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