Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

 

 

O aparelho de Estado é muito mais resistente do que se pode imaginar e, com êxito, é capaz de organizar, nos momentos de crise, forças fiéis ao regime muito além do que a profundidade da crise deixaria supor. Antônio Gramsci – relatório de agosto de 1926 ao Comitê Central

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“Numa sessão que durou mais de 18 horas, o Congresso Nacional aprovou no fim da madrugada o projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014, permitindo a revisão da meta de resultado fiscal deste ano. Jamais, antes, foram alteradas metas de ano em curso. … o governo Dilma …para escapar do crime de responsabilidade pediu uma verdadeira anistia. … Foram 240 votos a favor, na Câmara, e 39 no Senado; com as galerias fechadas, o que não aconteceu nem mesmo durante a ditadura militar.”

http://polibiobraga.blogspot.com.br/2014/12/congresso-fica-de-cocoras-e-aprova-nova.html

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    Vale perguntar: se estamos em uma democracia, a tão duras penas conquistada (segundo alguns) e tão celebrada, e se as regras dessa democracia, que devem ser observadas, estão sendo estritamente cumpridas (o regimento do Congresso inclusive), por que o regime anterior, findo oficialmente há uns bons 30 anos, precisa ser citado sempre e cada vez que se queira criticar qualquer decisão política tomada por aqueles que foram eleitos diretamente pelo povo para que o mesmo povo representassem? Por cacoete? Por vício? Por falta de argumento, de recurso mais adequado? E por que aquele regime anterior teria sido uma “ditadura”? Que substituiu essa “ditadura” que mais e melhor pudesse representar o interesse do povo brasileiro? Como se comporta o processo político nacional desde que de uma “ditadura militar” o País ter-se-ia livrado sem que o Governo de então, estando de posse do aparelho de Estado, manifestasse qualquer resistência?

 

     Disputas políticas são enfrentamentos ideológicos – ou não serão disputas políticas, serão apenas entreveros em torno de minudências, serão incentivos à formação de fã-clubes, serão desordens provocadas por mera demagogia, serão caprichos sem qualquer significado político que apenas desvirtuam, desgastam e enfraquecem as vontades coletivas. Serão não mais que uma insanidade.

 

     Posições políticas não são, pois, fruto de opções estéticas nem se confundem com estas. Muito menos serão fruto de sensibilidade poética. Posições políticas que signifiquem alguma vantagem política são conquistas reais e são posições de poder, são posições de combate que devem ser defendidas com constância, com empenho e irredutivelmente. Porque derivam de uma finalidade estratégica. E com essa finalidade devem ser coerentes.

 

     É preciso, é, aliás, imprescindível que, constantemente, os objetivos imediatos sejam ajustados estrategicamente ao objetivo final não só a cada batalha perdida como a cada batalha ganha. Nas “Casas do Povo”, onde estão os “representantes do povo”, travando combates semelhantes aos de uma guerra – e, muitas vezes, serão o prólogo de uma guerra -, haverá sempre um vencido e um vencedor. O resto é massa de manobra. Isso, caso haja “representantes do povo” que representem de fato o interesse do povo – a infinidade de interesses que esse povo possa manifestar – não apenas se representem, eles próprios. Sendo assim, o combate político não será um piquenique no campo ou um festival da canção popular. O combate político é uma “guerra de posições”.

 

     Não se enfrenta uma guerra por inércia, por vaidades ou pelo prazer de enfrentá-la. Nesses combates parlamentares, a manifestação de entusiasmo nas galerias ou as atitudes intrépidas nas ruas do povo já “representado” nos assentos do Congresso – tal como a Democracia civilizada requer – serão de muito pouca serventia. Muitas vezes, pelo contrário, essa agitação é provocada por quem aposta no tumulto puro e simples para obter pequenas vantagens irrelevantes à coisa pública.

 

     Para enfrentar uma guerra com um mínimo de chance de vitória é preciso saber por que enfrentá-la, é preciso ter uma razão consistente, uma boa tropa, grande ou pequena, muito bem disciplinada, é preciso agir com inteligência e criar algumas táticas alternativas de combate. Sem um desses elementos, confia-se apenas na sorte, que não costuma brindar com freqüência os que despertam ao meio-dia, e a expectativa deverá ser não outra que o fracasso das investidas e a derrota.

 

     Se algum combatente não sabe disso, qualquer bom comandante saberá. Ou deveria saber. Quem não souber disso, ou, mesmo que saiba, não atente a isso, que não se meta a querer comandar batalhas políticas ou, muito menos, a querer comandar a Política.

 

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Congresso fica de cócoras e aprova nova “Lei de Irresponsabilidade Fiscal”. Dilma escapa do crime de improbidade administrativa.

. Numa sessão que durou mais de 18 horas, o Congresso Nacional aprovou no fim da madrugada o projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014, permitindo a revisão da meta de resultado fiscal deste ano. Jamais, antes, foram alteradas metas de ano em curso. O que acontece é que o governo Dilma gastou demais em, ano eleitoral, registrou déficit monstruoso e para escapar do crime de responsabilidade pediu uma verdadeira anistia.

 . A pressão sobre a base governista incluiu a promessa de liberação de emendas parlamentares que somaram valores médios de R$ 740 mil por deputado e senador. Uma chantagem explícita.

. Foram 240 votos a favor, na Câmara, e 39 no Senado; com as galerias fechadas, o que não aconteceu nem mesmo durante a ditadura militar.

. A aprovação da anistia equivale a uma verdadeira Lei de Irresponsabilidade Fiscal. Ela poderá beneficiar governadores e prefeitos desordeiros que gastam loucamente e agora estão sem controle.

. Os governistas praticamente não usaram a tribuna e permitiram que os oposicionistas deitassem e rolassem em acusações de todo gênero contra Dilma e o PT.

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