Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

A “Canção Nordestina” composta por Geraldo Vandré (que nem só com anedotas do tipo “para não dizer que não falei de flores” fez a sua carreira) foi gravada em 1965 e nunca arrebentou nas paradas de sucessos.

 

E pôde ser praticamente esquecida.

 

Seus versos tristes são lindos: “Que sol quente, que tristeza… /Que foi feito da beleza /tão bonita de se olhar? /Que é de Deus e a Natureza? /Se esqueceram, com certeza, /da gente deste lugar. /Olhe o padre, com a vela na mão, /está chamando pra rezar. /Menino de pé no chão /já não sabe nem chorar. /Reza uma reza comprida /pra ver se o céu saberá… /mas a chuva não vem, não. /E esta dor no coração… ai… /quando é que vai se acabar? /Quando é que vai /se acabar?” 

 

A melodia, tão linda quanto os versos, consegue algo difícil de se imaginar possível: consegue ser ainda mais triste que eles.

 

Quem – entre tanta gente que pôde continuar caminhando e cantando com tanta “vontade política”, com tanta certeza na frente, com tanta história na mão, com tantas lágrimas nos olhos e tanta sensibilidade na ponta da língua sempre que se viu ou ainda se vê, sem medo de ser feliz, em campanha eleitoral – poderia essa canção, ou toda a tristeza que ela carrega, ou toda a desgraça a que ela se refere, ter alguma vez comovido?

 

Quem, hoje, as ossadas retorcidas que se vêem na imagem abaixo poderão comover?

 

Essa hipocrisia criminosa apelidada de “Política”…  ai… quando é que vai se acabar?

 

Mas como poderia ela se acabar?

 

 

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