Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

 

 

 

 

       Por correio eletrônico e no facebook, eu recomendava, ontem, a alguns, que deveriam dar atenção a um debate que foi divulgado pelo canal Globo News – “VOCÊ É DE DIREITA OU DE ESQUERDA?”: https://www.youtube.com/watch?v=lwEUK8_E60k

 

      E dizia: “Embora, de quando em vez, eu manifeste minhas discordâncias, mais sérias ou menos sérias, com cada um dos três entrevistados – e nisso também reside a democracia –, considero que a Reinaldo Azevedo deveria ter sido concedido mais tempo.

      E, aproveitando um gancho de Pondé, eu diria que, no Brasil, para mim, ser revolucionário é ser brasileiro. 

      Portanto, concordem ou discordem, com todos ou com alguns, no todo ou em parte – mas ouçam. Ouçam atentamente. Leva um tempo, mas vale a pena. Façam um esforcinho extra para conseguir pensar – e pensar muito – a respeito de tudo aquilo que aqui é dito. E levem essa discussão às ruas, às Escolas, às Universidades, aos Clubes, aos sindicatos… Comecem por levá-la à mesa, na hora do almoço, dentro de suas próprias casas. Como em minha casa, desde sempre, ela se fez e se faz até hoje. Discutir bem discutido não mata nem ofende.”

 

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      Algumas respostas que recebi me levam a querer trocar isso em miúdos mais miúdos: esse debate é importante e só é importante porque, mal ou bem, recoloca em pauta a questão política – que desapareceu faz tempo de nosso horizonte. E não foge dela – mesmo que tenha sido muito reduzido pelo tempo, pela orientação que lhe foi dada e por ter como pano de fundo apenas a obviedade da impertinência do PT como representação de qualquer coisa além do interesse de suas “celebridades” e um tiroteio cerrado voltado a essas “celebridades” e à sua “prole”.

 

      O mais equilibrado e realista naquele debate foi Azevedo, jornalista, que tentou aprofundar o assunto. Estranhamente, foi ele quem mais se destacou em questões que deveriam ter sido muito mais bem abordadas e aprofundadas por eminentes acadêmicos. E não foram. Deveria esse debate servir de impulso a outros debates caso a questão política fosse considerada importante.

 

      A esquerda, como diz Pondé, também ontem, 24/02, na Folha de São Paulo, é sim “totalitária. Quer nos convencer que não, mas mente. … Ninguém precisa da esquerda para fazer uma sociedade ser menos terrível, basta que os políticos sejam menos corruptos (os da esquerda quase todos foram e são), que técnicos competentes cuidem da gestão pública e que a economia seja deixada em paz, porque nós somos a economia, cada vez que saímos de casa para gerar nosso sustento.”

 

      Observe-se que “técnicos competentes” cuidando “da gestão pública” – cuidando, pois, da Economia – significa nada mais nada menos que o seguinte: o nosso Estado precisa estar de olho e de mão metida por inteiro na Economia, no mínimo orientando-a – o que conflitará necessariamente com uma “economia deixada em paz”. Se o Estado não se encarrega disso, quem meterá a mão em questões que a nós e só a nós concernem? Que Estado, então, deverá ser esse, que, em tese, é nosso e só nosso é?

 

      A direita também sabe ser totalitária e também sabe ser corrupta e só não vê isso quem não quer. Ou quem se dedica a “filosofar” com vistas ao estrelismo e, ao tentar se aproximar da terra, pára nas nuvens.

 

      Já o “tucanato’ sempre foi o nicho “centro-esquerda” em que se reuniram e hoje ainda se reúnem os que teriam tendências ditas liberais moderadas na Economia. Mas, como o Partido é de esquerda, e de esquerda ele é, a direita que nele se abriga tem, como único e íntimo ponto contato com a esquerda, o internacionalismo. E, nesse campo, ninguém conflita. E, ainda nesse campo, poucos, muito poucos, na “oposição”, conflitarão com os da “situação” – que é o PT.

 

      No fundo, no fundo, as idéias internacionalistas (e, com elas, as regionalistas e as “governanças”) continuam pairando sobre as cabeças todas, continuam comandando o raciocínio dos mais e dos menos intelectualizados, o que faz que a suposta discussão sobre problemas nacionais se limite às questões de Economia internacional, e que as questões nacionais, todas elas, as nossas questões, que só nossas são, mesmo que eventualmente bem adjetivadas, percam em importância e em substância.  

 

      Por isso mesmo e por muito mais que isso, incentivo, sempre que me é dado incentivar, a discussão política – enquanto espero o surgimento de uma organização republicana, em sentido estrito e amplo, que possa lançar alguma candidatura que demonstre alguma responsabilidade com e empreste alguma coerência a preocupações voltadas ao que, de fato, ainda possa e deva ser visto como nacional em sentido estrito e amplo. 

 

      Afinal, quem somos? Que Estado queremos? Que fazemos a “cada vez que saímos de casa para gerar nosso sustento”? Esta, não outra que nos desvie a atenção devida ao que de fato é importante, é a discussão política que deve estar nas ruas, nas Escolas, nas Universidades, nos Sindicatos, em nossa mesa de almoço e de jantar.

 

      A outra discussão, a respeito de quem pode ou não pode, de quem deve ou não deve ser Governo, lhe é decorrente – é uma discussão que depende de uma definição prévia, uma definição a respeito do nosso Estado, sem o que tudo será demagogia. Portanto, a discussão a respeito do Governo, que é uma discussão administrativa, não precede nem substitui a discussão a respeito do nosso Estado, que é política. Aliás, isso, e nada mais que isso, é “Política”. É Poder.

 

      Queremos fazer Política? Então, devemos querer enfrentar essa discussão. Ou quem permitiremos que se encarregue de definir o que podemos ou não podemos fazer?

 

 

 

  

  

 

 

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