Vania Leal Cintra - minhatrincheira@uol.com.br

 

 

Cuba lança

31.jul.2013 – Com boina e charuto cubano, médico participa de protesto no centro

de Florianópolis (SC), nesta quarta-feira (31), contra a contratação de profissionais

estrangeiros – Hermeto Garcia/Futura Press

 

 

      Há exatos dois anos, o “Diário de Notícias” de Lisboa publicava o seguinte:

 

 

“Bastonário da Ordem dos Médicos: Utentes satisfeitos com médicos cubanos ‘incompetentes’ – por Lusa, 07 agosto 2011

José Manuel Silva voltou a lamentar a falta de “competências adequadas” para exercerem a função

O bastonário da Ordem dos Médicos acredita que os utentes tenham ficado ‘satisfeitos’ com a chegada, há dois anos, dos médicos cubanos a Portugal, mas voltou a lamentar a falta de “competências adequadas” para exercerem a função.  ‘São médicos indiferenciados sem a especialidade de medicina geral e familiar, que em Portugal tem quatro anos de curso’, explicou à agência Lusa José Manuel Silva. De acordo com o bastonário é necessário que esses clínicos tenham ‘competências específicas porque têm que lidar com situações que vão desde o planeamento familiar à obstetrícia, à pediatria, à geriatria e ao estudo e acompanhamento das famílias’. ‘Naturalmente os cidadãos que receberam os médicos estrangeiros ficaram satisfeitos. Porque até aí não tinham médico e passaram a ter. Não com as competências adequadas e desejáveis, mas passaram a ter um médico’, acrescentou. O primeiro grupo destes médicos cubanos chegou a 08 de Agosto de 2009, no âmbito de um contrato celebrado entre os governos de Portugal e de Cuba, para prestar cuidados médicos em centros de saúde no Alentejo, Algarve e Ribatejo. ‘A Ordem dos Médicos defende que todo o cidadão português tem direito a ter acesso a um médico. O que quer é que tenham acesso a um médico com especialidade. Não tem a ver com a nacionalidade. Não há qualquer tipo de xenofobia’, afirmou o bastonário, sublinhando que ‘dez por cento dos médicos a trabalhar em Portugal são estrangeiros’. José Manuel Silva considerou que o principal erro do anterior Governo foi ter importado activamente médicos do estrangeiro para desempenharem ‘funções para as quais não estão preparados’.(http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1947638)

 

   

      Então é isso: apesar de que médicos cubanos não tivessem chegado com as competências adequadas e desejáveis… os cidadãos d’além mar se puseram satisfeitos com a chegada dos médicos cubanos. Isso porque… bem, porque até ali não tinham médicos. E passaram a ter. Médicos são necessários.

 

      E, então…? Quem, exatamente, será contra a “importação” de médicos de Cuba ou de Cucuí de las Palomas ou dos raios que nos partam, os que o Brasil decidiu contratar de acordo com uma “vontade política” do Governo? E por que alguns se recusam a aceitá-la? Porque eles não sabem falar o Português-do-Brasil? Porque, sendo cubanos, esses médicos terão nascido na propriedade particular de Fidel e com sua bênção se terão criado? Porque Cuba lança sobre nós, como um míssil, seus agentes especializados em doutrinação comunista e agitação revolucionária travestidos de doutores em Medicina, em “missão”, à semelhança de uma “missão francesa” que já tenhamos acolhido, e correremos o risco de que eles façam nossas cabeças?

 

     Vejamos: os médicos brasileiros que fazem da profissão um sacerdócio (tal como fazem, da deles, os bons Soldados) não hão de querer assistir a uma invasão de médicos alienígenas que pretendam “fazer o Brasil” (a exemplo dos muitos que “fizeram a América”), sejam eles cubanos, mexicanos, havaianos… ou marcianos, pouco importa. E muito deverão temê-la, pois a contratação de profissionais suspeitos por métodos suspeitos poderá incluir os muito incompetentes. Há ainda o risco de nivelá-los, todos, por baixo, tal como as Escolas todas nos vêm nivelando, em virtude de que um título obtido sabe-se lá por quais critérios valerá ao leigo tanto quanto um título das nossas mais rígidas Universidades (mas isso ainda existe por aqui?); e presumirá, de todos, semelhante grau de conhecimento – tal como já acontece, há muitas e muitas décadas, com muitas das profissões que lidam diretamente com o público ou não, inclusive na área da Educação, e assim faz-se o desastre nacional. Os médicos brasileiros que fazem da profissão um sacerdócio deverão, assim, também temer que se desmoralizem todos os cursos de Medicina nacionais e, pior, o próprio exercício da Medicina. Mas não serão médicos cubanos os que, por si sós, farão cabeças que já vêm sendo feitas faz tempo. 

 

     Os Conselhos Regionais de Medicina não hão de querer, tampouco, médicos “importados”. O presidente do CRM-MG, por exemplo, já declarou que os médicos brasileiros “não devem corrigir o que o estrangeiro fizer de errado”. Declarou ainda: “Vou orientar meus médicos a não socorrerem erros dos colegas cubanos”; e, apesar de que os reconheça como “colegas”, pretende denunciá-los por exercício ilegal da profissão, decisão essa que justifica: “O papel do CRM é fiscalizar a medicina, não fazer politicagem para que prefeitos sejam eleitos“(http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2013/08/23/nao-serei-preceptor-de-medico-estrangeiro-diz-presidente-do-crm-de-minas.htm). Muito bem. Terá ele também recomendado a “seus” médicos que deixem morrer no mato ou sentados nas calçadas em frente às clínicas e aos consultórios quem tiver sido vítima de qualquer barbeiragem cometida por quaisquer médicos brasileiros incompetentes (também existem!) ou quem tiver sido vítima de omissão de socorro em tempo hábil?

 

     Os que fazem de sua profissão, qualquer que seja ela, um bom negócio, um instrumento adequado à conquista de uma cota de fiéis consumidores de suas habilidades, também verão, por certo, na “importação” de profissionais gabaritados no exterior uma ameaça ao seu cotidiano gargarejo dedicado aos que podem comprar o mesmo viscoso e ardido produto de pessima qualidade rotulado de “liberal-democrático”, que perfuma o hálito e também vem sendo importado em maior ou menor quantidade conforme as conveniências de cada um de nossos sucessivos Governos

 

     O inteiro povo brasileiro não deveria aceitar médicos “importados”. Não deveria… caso contasse com serviços de qualidade em quantidade suficiente oferecidos pelos médicos nacionais. E não deveria aceitar os “importados” principalmente porque deveria temer que a demagogia e o proselitismo ideológico do atual Governo – que, como seus antecessores, há anos-luz deveria estar preocupado com a Saúde nacional tanto quanto se mostra preocupado com a (re)eleição – mais uma vez substitua a atenção devida a esse setor vital à Nação que há anos-luz se vê abandonado. O povo teme que isso aconteça? O povo tem alguma idéia do que seja proselitismo ideológico? Ou apenas teme o que conhece e apenas conhece o que é tentar sobreviver sem contar com a assistência do Estado?

 

     O inteiro povo brasileiro não deveria aceitar a “invasão” proporcionada pelo Governo porque deveria ter, antes, exigido e, hoje, ainda estar exigindo que médicos brasileiros de fato dedicados e competentes fossem formados por nossas Universidades e que eles estivessem presentes em ambulatórios e Hospitais de qualidade que cobrissem inteira e eficientemente todo o território nacional, nos quais não faltassem medicamentos, nem instrumentos, nem vagas, nem enfermeiros qualificados. O povo exigiu isso? Exige isso? Alguém o exige ou antes vinha exigindo em seu nome?

 

     Se isso nunca foi exigido e só agora o povo passou a exigir mais médicos, e apenas médicos, sem mais, sabe-se lá movido exatamente por quê (poderia perfeitamente estar exigindo mais pajés…), explica-se, por si só, como e também por que só agora o Governo se preocupa com isso e como e por que, agora, essa novidade, e só ela, a da “importação” de médicos, pode ser vendida livremente ao público interno e ao mundo que nos observa atentamente (?) como sendo a mais capaz de resolver um problema estupidamente velho, obeso, paralítico e desmemoriado que conosco vem convivendo, às nossas custas, sob nossas responsabilidade, na mais perfeita paz. Foi, de repente, encontrada a mezinha,  a receita mágica daquilo que mais permite que sejam obtidos os mais amplos benefícios no mais curto prazo possível. Benefícios ao… Governo.

 

     E, então? Precisamos, mesmo, de pesquisar estatísticas publicadas por qualquer Organização Mundial de Saúde para constatar a miséria em que se encontra a Saúde nacional? Ou ela nos salta aos olhos? Para o preenchimento das vagas hoje ditas disponíveis aos médicos “importados”, foram oferecidas condições ao exercício da boa Medicina? A inscrição dos médicos brasileiros foi garantida? Essas vagas não foram preenchidas por quê? Todos os interessados tiveram acesso às inscrições? O que se viu foi que a ninguém elas apeteceram? Ou o que se viu foi uma “confusão” proposital que tão bem caracteriza todos os procedimentos neste País? Os médicos “importados” possuem “competências adequadas e desejáveis” já apontadas como necessárias, há dois anos, pelo Bastonário da Ordem dos Médicos portuguesa? Quem as garante? 

 

     Caso todos se submetam ao REVALIDA, e caso esse REVALIDA seja de fato levado a sério, pouco importará à população brasileira ou mesmo aos médicos brasileiros de onde tenham sido “importados” os médicos que nos sejam necessários. A população terá médicos, o que até aqui não teve. Ou, afora os das demais procedências, 4.000 médicos cubanos serão dispensados desse exame e entrarão pela janela no SUS porque cubanos são? Estamos contratando médicos porque os que temos não nos são suficientes, porque nossos médicos não querem ser médicos, ou apenas colaboramos com aliviar os problemas crônicos de uma ilha “santa” que sofre com uma superprodução de “semimédicos” que terminam por se ver ociosos? Esses médicos cubanos não nos estarão caindo de paraquedas como marias-candelárias apenas para que o Governo de Fidel-companheiro receba, de nós todos, alguns cobres a mais? Sendo assim, que fazer para resolver com seriedade e competência a amargo estado de indigência da Saúde nacional (em sentido estrito e amplo)?

 

     Essas são as questões a discutir, essas todas, e só essas são as questões a discutir. Nenhuma outra questão se levanta. Não são questões de ordem corporativa – são questões de ordem nacional. Questões que, no fim das contas, resumem-se a uma única – a última que aqui foi enunciada – que, não sendo enfrentada e resolvida, não permitirá que qualquer outra o seja.

 

     Ou, melhor dizendo, há mais uma, uma só, que não é exatamente a mais importante, mas não deixa de ter importância: a de como fugir de ter que “pagar o mico” – porque a quantidade de “micos” já pagos, francamente, ultrapassou os limites aceitáveis, faz muito tempo.

 

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CRM de Minas diz que vai orientar médicos a não socorrerem erros de cubanos

Do UOL, em São Paulo

23/08/201314h23 > Atualizada 23/08/201314h57

O presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), João Batista Gomes Soares, declarou à imprensa nesta sexta-feira (23) que pretende denunciar os médicos cubanos por exercício ilegal da profissão. Ele chegou a dar uma declaração que gerou polêmica: “Vou orientar meus médicos a não socorrerem erros dos colegas cubanos”, disse o médico ao Estado de Minas.

Ele tem noção de que sua frase repercutiu bastante, mas que não tem nenhum receio ou arrependimento da declaração: “O papel do CRM é fiscalizar a medicina, não fazer politicagem para que prefeitos sejam eleitos”, disse ao UOL.

Também esclarece que sua frase serve para médicos estrangeiros em geral, e não só para os que vierem de Cuba. “Foquei nos cubanos porque serão 4.000. Eu não vou pegar um médico estrangeiro e orientá-lo. Minha obrigação é com paciente. E se o prontuário estiver com erros, por exemplo? Também não vou entrar em cirurgia com eles. Não vou ser preceptor de médicos estrangeiros”.

Soares alega que o governo autorizou a atividade desses profissionais sem que eles passem pelo processo de revalidação do diploma estrangeiro e pelo exame de proficiência em língua portuguesa. Comentou, também, que se o governo insistir nas contratações, o tema se tornará caso de polícia.

O presidente do CRM de Minas também diz que sua orientação para todos os médicos mineiros é a mesma: eles não devem corrigir o que o estrangeiro fizer de errado. “Temos obrigação apenas com o paciente”.

Como os primeiros médicos estrangeiros chegam hoje a várias capitais, inclusive Belo Horizonte, Soares diz que já agendou a ida de um fotógrafo para documentar a chegada do grupo.

“Os conselhos regionais de medicina do país inteiro compraram esta briga. Que venham os estrangeiros, só queremos que façam o Revalida. Se passarem ou não, problema deles”, diz. “Nós temos de obedecer a lei e isso que estão nos impondo é uma medida provisória”, encerra.

    

   

  

 

 

 

 

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